Câmara, agora, deve livrar Valdemar

Absolvição da deputada Jaqueline Roriz pela maioria do plenário anima defesa do parlamentar, que já espera por arquivamento do caso

Eduardo Bresciani / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2011 | 00h00

A absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) - flagrada em vídeo recebendo dinheiro do esquema de corrupção conhecido como "mensalão do DEM" - com uma larga margem de votos tranquilizou a defesa de outro parlamentar que está tendo sua conduta analisada ainda no Conselho de Ética e Decoro da Câmara. Ao contrário de 2005, quando teve de renunciar para escapar da cassação, Valdemar da Costa Neto (PR-SP) poderá ser absolvido já no início do processo.

No dia 14 de setembro o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) apresentará seu parecer preliminar. Independentemente da posição do tucano, a expectativa é a de que o processo seja arquivado.

Valdemar foi levado ao Conselho de Ética por PSOL e PPS. Os partidos reuniram denúncias veiculadas pela imprensa que apontam a participação do deputado em reuniões no Ministério dos Transportes nas quais se pedia a empresários o pagamento de propina para a liberação de recursos.

Consta também no pedido de investigação um vídeo no qual Valdemar negocia a liberação de recursos do ministério para que o deputado Davi Alves Silva Júnior ingresse no PR. A representação traz um trecho de entrevista do deputado a uma rádio de Mogi das Cruzes na qual ele diz "querer" uma diretoria de um banco público para ajudar aliados a liberar verbas. Um aditamento incluiu ainda no escopo da investigação a denúncia de fraudes na "Feira da Madrugada" em São Paulo.

Apoio. Ao contrário do que aconteceu com Jaqueline, a defesa de Valdemar é feita de forma aberta por alguns deputados. "Não há materialidade nenhuma", diz o líder do PR, Lincoln Portela.

Mesmo quem ataca o deputado já dá a absolvição como certa. "No caso do Valdemar, talvez a absolvição seja ainda no Conselho. Essa legislatura precocemente mostrou uma senilidade de valores", afirma o líder do PSOL, Chico Alencar. Para ele, o resultado no caso Jaqueline mostrou que a Câmara considera a corrupção como algo natural.

Em 2005, Valdemar foi um dos citados no escândalo do mensalão e renunciou ao mandato. Ele é réu no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Tudo normal. Um dia depois de receber o apoio dos colegas, Jaqueline retomou sua rotina parlamentar. Participou da votação do projeto que cria o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e conversou com alguns parlamentares. No plenário, o assunto foi praticamente ignorado, sendo raras as manifestações sobre o episódio de terça-feira.

Tentando pegar carona na indignação de setores da sociedade, alguns deputados buscarão ressuscitar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com o voto secreto no Congresso. O projeto foi aprovado em primeiro turno em 2006. Desde então, a votação em segundo turno vem sendo protelada.

Um grupo de deputados pretende relançar a Frente pelo Voto Aberto e pressionar os líderes para colocar o tema em pauta. Enquanto isso, a Casa continuará podendo usar o segredo do voto para esconder a opinião dos parlamentares sobre a atuação de colegas envolvidos em caso de corrupção.

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