Câmara aprova projeto que obriga instalação de air bag

Efetivamente, se for sancionado pelo presidente, lei só será válida a partir de 2014 por causa das adaptações

Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2009 | 19h25

A Câmara aprovou o projeto que torna obrigatório a instalação de air bag para o condutor e para o passageiro do banco dianteiro do carro. O projeto agora será encaminhado ao Palácio do Planalto para sanção presidencial. Os novos modelos deverão conter o equipamento de segurança a partir do primeiro ano de regulamentação das especificações técnicas e do cronograma de implantação pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Para os carros 0km de modelos já existentes, a obrigatoriedade será a partir do quinto ano após a definição das regras pelo Contran. A transferência para o Contran da definição do calendário de implantação e o período de cinco anos de prazo para as montadoras provocaram críticas. "Só em 2014 os carros serão obrigados a ter air bags", afirmou o deputado Hugo Leal (PSC-RJ). "Estamos abrindo mão de fixar um prazo específico deixando para o Contran fazer isso", continuou Leal. A favor da obrigatoriedade do air bag, o deputado defendeu a aprovação de um outro projeto, também na pauta de votação, que fixava um calendário de implantação progressiva do air bag pelas montadoras, partindo de 30% no primeiro ano até 100% no quinto ano. Mesmo com as críticas, os deputados comemoraram a aprovação do projeto. Eles ressaltaram o aumento da segurança do condutor e do passageiro. Na defesa da obrigatoriedade do equipamento, o líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), médico ortopedista, afirmou que o air bag protege e dá mais chance de recuperação ao acidentado. O deputado Marcelo Almeida (PMDB-PR) foi na contramão dos discursos. Ele disse que a obrigatoriedade do air bag vai aumentar o preço dos carros. "O carro mais simples não vai mais custar R$ 20 mil, mas sim R$ 22 mil", afirmou. Atualmente, o air bag é importado e instalado nos carros pelas montadoras no País, mas empresas brasileiras estão se associando para produzir o equipamento nacional. A assessora de relações governamentais da Rhodia, Renata Bley, informou que a empresa, que produz o fio usado no air bag, e as empresas de autopeças Takata e TRW poderão desenvolver a cadeia produtiva do air bag nacional em um prazo de um ano, porque já possuem a tecnologia para isso. Renata Bley afirmou que a obrigatoriedade vai permitir a produção em grande escala o que fará cair o preço do equipamento, hoje, considerado de luxo. Ela ressaltou ainda que, além do ganho social com a segurança e a queda de gastos com acidentes, a produção nacional vai garantir empregos.

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