Câmara aprova vagão feminino no metrô

Projeto, que prevê separação na hora do rush, passou em 1.ª votação

Débora Borges, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2007 | 00h00

A Câmara de São Paulo aprovou, em primeira votação, o projeto de lei do vereador José Rogério Farhat (PTB) que reserva ônibus e vagões do metrô para mulheres pela manhã, entre 6 e 9 horas, e no fim do dia, das 17 às 20 horas. O vereador disse que o projeto pretende pôr fim ao constrangimento enfrentado por mulheres diariamente em ônibus e metrôs lotados. "Alguns se aproveitam dessa situação para molestar as passageiras", afirmou.Segundo Farhat, no metrô o primeiro vagão já é preferencial para idosos, grávidas e pessoas com deficiência. Bastaria reservar os vagões seguintes às mulheres. Às empresas de ônibus caberia pôr nas ruas veículos exclusivos. Os trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) estão fora do projeto, porque, nesse caso, a legislação é de competência exclusivamente estadual. A Assessoria de Imprensa do Metrô informou que, se virar lei, a medida será cumprida. Responsável por coordenar o transporte na capital, a São Paulo Transporte (SPTrans) não informou quantas mulheres utilizam ônibus diariamente nem se as empresas teriam como reservar parte dos carros às mulheres. O projeto tem de ser aprovado em segunda votação, antes de ser encaminhado ao prefeito Gilberto Kassab.A babá Edite Frans de Souza, de 44 anos, vai de ônibus para o trabalho todos os dias e gostou da idéia de ter um veículo exclusivo. "Fica todo mundo muito apertado. Vou trabalhar mais tarde, até que é mais vazio, mas agora à noite está bem lotado. Fica muito apertado. Se tiver pelo menos só mulher a gente pode ficar mais à vontade. Mas será que dá certo?", questiona. A bailarina Camila Vinhas, de 33 anos, usa o metrô todos os dias e também tem suas dúvidas. "A segregação não é uma boa saída para as questões que envolvem muita gente. Talvez mais metrôs e mais trens."

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