Câmara atropela Kassab e veta caminhões em SP

Projeto aprovado ontem restringe circulação de qualquer caminhão em toda a cidade nos horários de pico; Executivo deve derrubar proposta

Diego Zanchetta e Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

10 de abril de 2008 | 00h00

Enquanto o prefeito Gilberto Kassab (DEM) ainda prepara um decreto para restringir a circulação de caminhões em uma área de 100 quilômetros quadrados em São Paulo, a Câmara dos Vereadores se antecipou e aprovou ontem, em segunda votação, o projeto do vereador Jooji Hato (PMDB) que proíbe a circulação de todos os caminhões na capital nos horários de pico.O projeto tramita no Legislativo há um mês e foi aprovado em primeira discussão na quarta-feira da semana passada, dois dias antes de o prefeito anunciar que a área de restrição para carga e descarga iria quadruplicar. Ontem, o texto passou por votação simbólica, com posições contrárias do líder do governo, José Police Neto (PSDB), do líder do PT, Arselino Tatto (PT), e da vereadora Soninha (PPS)."A diferença é que meu projeto resolve o problema por inteiro, pois tira os caminhões de circulação justamente nos horários com congestionamento. O decreto do Kassab tira apenas 20% dos caminhões de circulação", defendeu Hato. "O caminhão tem de encostar e parar nesses horários, mesmo se ele já estiver dentro da capital. É a solução para deixar os carros mais livres", acrescentou.As propostas diferem no horário e na área abrangida. No projeto de Hato, é proibida a circulação de qualquer caminhão no município das 7 às 10 horas e das 17 às 20 horas. Já a medida anunciada por Kassab amplia a restrição para a carga e descarga dos atuais 25 quilômetros quadrados do centro expandido para uma região que soma 100 quilômetros quadrados. A restrição da Prefeitura está prevista para ocorrer das 5 às 21 horas e começaria a valer 45 dias após a publicação do decreto, o que ainda não ocorreu.Procurada ontem, a Assessoria de Imprensa do Executivo não adiantou se o projeto de Hato será sancionado. A tendência, apurou a reportagem, é o veto ao projeto e a publicação do decreto do governo municipal com as novas regras.O dois projetos liberam a circulação de ambulâncias e guinchos, por exemplo. O texto de Hato, contudo, prevê que a restrição seja aplicada em caráter experimental, por seis meses. Há ainda a possibilidade de a restrição ser suspensa durante a aplicação, caso os resultados sejam desfavoráveis.Outra diferença entre os projetos é que o texto do Executivo deve incluir no rodízio caminhões que circulam nas Marginais do Pinheiros e Tietê e na Avenida dos Bandeirantes. Essa medida deve retirar 40 mil caminhões de circulação."No momento em que existe um decreto do Executivo sendo preparado para a questão, achei inoportuno um projeto que trata sobre o mesmo assunto ir à votação e sem debate com os representantes dos setores atingidos com a medida", afirmou o tucano Police Neto.TRANSPORTADORESO Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), entidade que representa 7 mil empresas do setor, divulgou manifesto no qual questiona a eficácia das medidas. O sindicato, porém, não se manifestou sobre o projeto da Câmara. "O Setcesp não defende o caminhão. O Setcesp defende a racionalidade no abastecimento urbano, compatibilizando de forma ideal seus diversos fatores: a carga, o veículo, o porte do estabelecimento, a sua localização e o horário da operação. Nesse contexto, o caminhão é, em algumas situações, indispensável", diz o manifesto.O Setcesp se coloca a favor da entrega noturna apenas para grandes estabelecimentos e propõe a proibição de caminhões com quatro ou mais eixos no centro expandido.

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