Matheus Reche/AAN
Matheus Reche/AAN

Câmara cassa prefeito de Campinas

Impeachment de Dr. Hélio foi aprovado por 32 votos a 1 e defesa irá à Justiça; vice assume já sob ameaça de nova Comissão Processante

Tatiana Fávaro e Jair Stangler, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2011 | 00h00

Por 32 votos a 1, a Câmara Municipal de Campinas cassou às 5h30 de ontem o mandato do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), reeleito em 2008 com apoio de 12 partidos, coligação jamais vista na cidade. Dr. Hélio dá lugar ao vice Demétrio Vilagra (PT), que chegou a ser preso em maio pela Polícia Federal e também pode enfrentar processo de impeachment. A defesa do prefeito cassado vai recorrer ao Judiciário para anular a decisão da Câmara.

Após 44 horas de julgamento, Dr. Hélio deixará a prefeitura quase sozinho. Só o vereador Sérgio Benassi (PC do B) votou contra a cassação. Nem os oito parlamentares do PDT nem os três do PT, principal partido aliado, ficaram ao lado do prefeito cassado. "Nós éramos a bancada que faria a diferença (na votação do impeachment). Tivemos coragem suficiente para peitar, encarar as executivas estadual e nacional, e mostrar que somos destemidos", afirmou o vereador Antônio Flores (PDT). "A minha integridade é inegociável, não está à venda por preço algum."

Segundo o presidente do PT local, Ari Fernandes, o voto da bancada não foi uma ruptura, mas a constatação de que a aliança perdeu a consistência política. Enquanto os vereadores usavam a tribuna, Vilagra discutia fora da Câmara com seu grupo político mudanças no secretariado. Embora só vá assumir o cargo após publicação da decisão no Diário Oficial do Município, o petista disse em uma carta divulgada ontem que está preparado para assumir o cargo.

A defesa de Dr. Hélio, que abandonou a Câmara na quinta-feira e abriu mão das duas horas de argumentação a que tinha direito, vai recorrer da decisão na Justiça. "Não jogamos a toalha", disse o advogado Alberto Rollo.

Novo processo. Antes mesmo de assumir a prefeitura, Vilagra já é ameaçado pelo risco de ser cassado. O vice deve ser alvo de uma nova Comissão Processante. O petista é acusado pelo Ministério Público de supostos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e fraudes em licitações. Vilagra chegou a ser preso em megaoperação deflagrada em maio.

Na quinta, o presidente do PSOL campineiro, Paulo Búfalo, protocolou um pedido de formação de Comissão Processante para investigar Vilagra. "Ele (Demétrio) vai ser prefeito e é alvo de denúncia do Ministério Público", afirmou Búfalo.

A Câmara responsabilizou Dr. Hélio em três denúncias: omissão em relação às infrações político-administrativas e atos de corrupção praticados na Sanasa; irresponsabilidade legal e política na defesa de bens, rendas e direitos do município no parcelamento do solo; e comportamento incompatível com o decoro ao ignorar tráfico de influência na liberação de alvarás para instalação de antenas de celulares.

Durante a sessão, manifestantes cantaram músicas de protesto e se despediram do prefeito ao amanhecer: "Ai, ai, ai, está chegando a hora, o dia já vem raiando meu bem, e o Hélio já vai embora". "Não é o melhor do mundos, mas é necessário para estancar a sangria que se via na cidade", disse o tucano Artur Orsi, autor do pedido de cassação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.