Câmara de Campinas afasta vice do PT que assumiu

Submetido também a uma comissão processante, Demétrio Villagra perde o posto um dia depois de substituir na Prefeitura o Dr. Hélio, do PDT

Tatiana Fávaro / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2011 | 00h00

A Câmara de Campinas aprovou ontem à noite, por 29 votos a 4, o afastamento, por 90 dias, do prefeito recém-empossado, Demétrio Villagra (PT), e a abertura de uma Comissão Processante (CP) para apurar seu possível envolvimento em irregularidades.

Villagra tinha assumido o cargo na manhã de anteontem, após cassação do ex-prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT). Assume a prefeitura, interinamente, o presidente da Câmara, vereador Pedro Serafim, do mesmo PDT do prefeito derrubado pelo impeachment no sábado.

Villagra já avisou que recorrerá à Justiça contra a decisão da Câmara, Segundo seu advogado, Hélio Silveira, o pedido de afastamento é inconstitucional. O autor dos pedidos, Valdir Terrazan (PSDB), disse ter usado o princípio da simetria e que, conforme a Constituição, o presidente da República pode ser afastado em caso de investigação por uma Comissão Processante. "O dispositivo constitucional não se aplica a esse caso e esse tem sido, até hoje, o pronunciamento do Poder Judiciário sobre isso", afirmou o advogado de Villagra.

Suspeitas. O petista será investigado por suposto envolvimento em esquema de corrupção na Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) e por supostas irregularidades nas licitações da Central de Abastecimento de Campinas (Ceasa). Além disso, é acusado de favorecimento a apadrinhados.

Villagra foi acusado formalmente pelo Ministério Público por formação de quadrilha, desvio de recursos públicos e fraude em licitações. Ele teve por duas vezes prisão decretada e em uma delas chegou a ser detido. As prisões foram revogadas.

Embora ao assumir tenha feito grandes esforços para costurar alianças com vereadores, o prefeito recém-empossado assistiu, na reunião da Câmara, a uma votação esmagadora contra seus projetos. "Vilagra me ligou no domingo", revelou o vereador Bileo Soares (PSDB) no plenário. "Temos de ser coerentes, e o PT tem de ser coerente. O PT foi signatário da abertura da CP e votou pela cassação do Hélio. Quis a investigação do Hélio, então tem que querer a do Demétrio." Os votos contrários à abertura da CP e ao pedido de afastamento foram dos três vereadores da bancada petista e do vereador Sérgio Benassi (PC do B), o único a votar contra a cassação de Hélio de Oliveira Santos. "Reconhecemos e aceitamos o resultado de forma democrática", afirmou o vereador Angelo Barreto, líder da bancada petista, após o encerramento da votação.

Orientado pelo advogado do prefeito, o líder Josias Lech disse que Demétrio Villagra não era prefeito quando foi alvo de acusações do Ministério Público. A Consultoria da Câmara alegou que por vezes o petista substituiu Hélio de Oliveira Santos interinamente, o que configuraria a ocupação do cargo.

Após a aprovação da CP, a Câmara definiu seus integrantes por sorteio. Coincidentemente, dois dos integrantes eram da comissão que julgou Hélio Santos. O presidente da CP é o vereador Rafa Zimbaldi (PP) e o relator, o vereador Zé do Gelo (PV). O terceiro será Sebá Torres (PSB).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.