Câmara de São Sebastião adia votação sobre construção de prédios

Duas emendas elaboradas pela Câmara de São Sebastião, cidade do Litoral Norte Paulista, podem impedir a construção de prédios populares de até cinco andares em 40 áreas do município, como prevê um projeto de autoria do Executivo que cria as Zonas de Especial Interesse Social (Zeis).A polêmica verticalização das moradias para famílias carentes seria votada nesta terça-feira, 29, mas acabou sendo retirada da pauta às pressas. "Ainda estamos concluindo os textos das duas emendas e por falta de tempo foram retiradas da pauta", justificou o presidente da Câmara, Wagner Teixeira. As emendas devem ser votadas na próxima seção, mas o prazo para a definição se encerra em 12 de setembro. "Ainda temos tempo", concluiu Teixeira.Dos dez vereadores, cinco são favoráveis à derrubada da verticalização. As emendas ao projeto, elaboradas principalmente pelos vereadores de oposição, tiram a possibilidade de construção dos prédios e também exigem que o prefeito Juan Garcia (PPS) defina quais serão as áreas que serão transformadas em Zeis. A possibilidade de construção de moradias verticalizadas também está sendo discutida durante as audiências públicas sobre o Plano Diretor do município. De acordo com a prefeitura, a construção será definida pelos próprios moradores, que deverão decidir se querem as moradias verticalizadas ou não. Rejeitado em março pela maioria dos vereadores, o projeto chegou a ser arquivado, mas voltou a ser discutido quatro meses depois. O projeto é polêmico e contraria os princípios das Ongs ambientais do Litoral Norte. O ambientalista André Miragaia, da Ong Vale Verde e representante das Ongs ambientais do Sudeste, informou que todas as organizações são contra a verticalização que pode acabar com o turismo, principal fonte de economia da população.Para ele, "vão acabar com a galinha dos ovos de ouro". Para a diretora do Parque Estadual de Ilhabela, Marília Britto de Moraes, este assunto já foi debatido há mais de 15 anos, quando ficou constatado que as áreas onde se prevê os cinco andares "não têm condições geográficas para suportar este tipo de construção". "É um retrocesso muito grande se forem permitidos".

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