Câmara de SP debate acesso a dados públicos

Em encontro na Casa, jornalistas ressaltam importância da transparência

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2011 | 03h00

Reunidos ontem em evento promovido pela Câmara Municipal de São Paulo, jornalistas de diferentes veículos defenderam mais transparência dos órgãos públicos do Brasil.

Um dos problemas abordados foi o que o colunista Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, denominou "a cultura do sigilo, da opacidade", que leva muitos agentes públicos a fazerem de tudo para não abrir informações. Ele apontou casos concretos de juízes eleitorais da Paraíba e Espírito Santo que se recusaram a revelar "até coisas simples como uma lista de candidatos a uma eleição".

Outro debatedor, Merval Pereira, de O Globo, comparou o governo americano, que anota e guarda tudo o que faz e diz um presidente, com o Brasil, onde muitas informações se perdem. Em seguida, elogiou a Lei de Acesso à Informação, ainda a ser votada no Senado, como "das mais avançadas já feitas".

O seminário, moderado pelo jornalista Carlos Marchi, abordou o tema "Como a Imprensa Vê a Transparência Pública". O painel era parte de um dia inteiro de discussões sobre "A Era dos Dados Abertos".

O diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, afirmou que a transparência precisa ser observada na sociedade por dois ângulos: o do poder público, que deve entendê-la como um dever, e o da imprensa, cuja tarefa é não só cobrar as autoridades como ter método e oferecer as informações com clareza.

Gandour saudou os avanços que a internet possibilitou, em termos de transparência, mas lembrou que "ainda estamos longe de outros países". Quem decide optar pela função pública "tem de saber que deve sempre satisfação à sociedade", destacou. Mas do lado da imprensa há também um dever: o de "buscar apuração e interpretação corretas". E essa investigação, advertiu, "requer método".

Milton Jung, apresentador da rádio CBN, falou sobre os avanços conseguidos pela ONG Adote um Vereador. Segundo ele, na própria Câmara, "apenas alguns" trabalham de fato com transparência.

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