Câmara do Rio suspende compra de frota oficial

A Câmara Municipal do Rio anunciou ontem que vai "sustar" a compra de veículos Volkswagen Jetta para o uso dos vereadores. A decisão ocorre uma semana após o Estado revelar a aquisição da frota, que custou R$ 2,3 milhões - ou R$ 69.100 por unidade - aos cofres da cidade. Resultado da péssima repercussão provocada pelo caso, até a manhã de ontem 21 dos 51 vereadores já haviam informado que não queriam mais o carro.

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2011 | 00h00

A suspensão do processo de compra, porém, não significa que o dinheiro será restituído. De acordo com o presidente da Câmara, vereador Jorge Felippe (PMDB), o valor já foi pago. Por isso, ele convocou uma reunião com os demais vereadores para terça-feira, a fim de definir o que será feito. Entre as propostas, estão o cancelamento integral da compra ou a troca por veículos de transporte coletivo da montadora, que seriam usados pelas comissões permanentes.

A Câmara do Rio não tem frota oficial para os vereadores há mais de 20 anos. A decisão de reequipar a Casa foi tomada em reunião, no dia 15 de março, com a participação de 43 vereadores. No total, 41 apoiaram a proposta. A compra, segundo Felippe, foi concluída no dia 28 de abril.

Ontem, antes de falar com a imprensa, o vereador discursou por mais de 30 minutos, com autoelogios à sua gestão. Para defender a decisão de comprar os veículos, ele alfinetou as câmaras de São Paulo e Belo Horizonte. Afirmou que nestas cidades os gastos com aluguel de veículos para os vereadores superam o valor o total pago por cada Jetta.

"A Câmara de São Paulo paga R$ 2.331 por mês para cada vereador alugar um veículo. Nos 48 meses de mandato, o valor é de R$ 111,8 mil. Em Belo Horizonte, o valor pago pelo aluguel é R$ 3 mil mensais", argumentou, sem mencionar, no entanto, que além de comprar os veículos, a Câmara também terá gastos com manutenção, seguro e impostos pela posse dos veículos.

A assessoria de comunicação da Volkswagen informou que a empresa não foi oficialmente informada sobre a decisão da Câmara e que, portanto, não se manifestaria sobre assunto.

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