Gustavo Tilio/AAN-18/4/2011
Gustavo Tilio/AAN-18/4/2011

Câmara leva adiante impeachment de prefeito

Legislativo de Campinas convoca Dr. Hélio e testemunhas de defesa e de acusação para apurar denúncias de irregularidades na administração

Tatiana Fávaro / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2011 | 00h00

A Comissão Processante instalada na Câmara de Campinas (SP) para apurar supostas irregularidades na administração municipal decidiu ontem dar continuidade ao processo que pode levar ao impeachment do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), o Dr. Hélio.

Os vereadores marcaram para dia 29 o depoimento do prefeito, das 20 testemunhas arroladas por sua defesa e de testemunhas de acusação que serão definidas pelo autor do pedido de cassação, vereador Artur Orsi (PSDB). "Vamos ficar até ouvir a última testemunha", afirmou o presidente da comissão, vereador Rafa Zimbaldi (PP). "Decidimos pela continuidade porque a defesa apresentada pelo prefeito não foi suficiente para derrubar os fatos na denúncia apresentada."

O advogado do prefeito, Alberto Luis Mendonça Rollo, defendeu a tese de que a denúncia feita pelo Legislativo é inepta por falta de provas. Ele se apoiou em documento da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo que sustenta não haver indícios de seu envolvimento na organização criminosa investigada pelo Ministério Público. O grupo foi acusado formalmente, na semana passada, dos supostos crimes de formação de quadrilha, fraudes em licitações e corrupção.

Dos sete suspeitos apontados na denúncia oferecida à 3.ª Vara Criminal de Campinas, cinco ainda estão foragidos, entre eles a primeira-dama de Campinas, Rosely Nassim dos Santos, e o vice-prefeito, Demétrio Vilagra.

Entre as testemunhas de defesa estão os ministros Carlos Lupi (Trabalho) e Orlando Silva (Esportes). "Os ministros sabem das gestões do prefeito e são pessoas que acompanharam fatos importantes", argumentou o advogado de Dr.Hélio.

Defesa. Ontem, o prefeito disse, por meio de uma carta, que em nenhum momento teve conhecimento ou participação em qualquer esquema ilícito. "Não há evidência mais incontestável dessa verdade do que a total ausência de menção a meu nome, seja por meio do delator (Luiz Aquino, ex-presidente da Sanasa), do procurador, do juiz ou das instituições Gaeco e Ministério Público."

Dr. Hélio disse ainda que está tranquilo e reiterou ter aceitado o pedido de afastamento de Aquino. Para ele, está constatado que a "relação escusa" está instalada além do âmbito da administração pública. "Estes termos são aqueles que trazem à tona o caráter político e vil destas acusações que pesam contra mim, que visam a tão somente fomentar a instabilidade e macular, junto à opinião pública, uma administração longeva."

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