Câmara muda ordem de candidatos na urna

Deputados contrariam resolução do TSE e aprovam projeto de lei para que seus nomes sejam os primeiros a aparecer na ordem de votação

Denise Madueño, Felipe Recondo, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Uma mudança aprovada de última hora na Câmara vai obrigar o Tribunal Superior Eleitoral a rever todo o trabalho feito desde março para as eleições de outubro. Para garantir que os eleitores se lembrem de seus números, os deputados aprovaram um projeto de lei para que seus nomes sejam os primeiros a aparecer na ordem de votação da urna eletrônica.

Se o projeto também for aprovado pelo Senado, o TSE arcará com os custos de mudar toda a programação das 400 mil urnas já distribuídas pelo País, de refazer sua propaganda institucional e de descartar os milhares de formulários já impressos que seriam distribuídos para que os eleitores anotem o número de seus candidatos, as chamadas "colinhas".

O TSE aprovou, em março deste ano, uma resolução para estabelecer a ordem de votação nas urnas. O eleitor votaria primeiramente nos deputados estaduais, depois nos deputados federais. Na sequência escolheria senadores, governadores e o presidente da República.

Sequência lógica. Pela resolução, os eleitores digitariam cinco algarismos para escolher os deputados estaduais. Em seguida, para votar nos deputados federais, digitariam quatro algarismos e assim sucessivamente até chegar a dois algarismos no caso dos candidatos a governador e à Presidência da República.

Os deputados argumentaram que a ordem, iniciando pelo voto para deputado federal, vem sendo adotada nas últimas eleições e a mudança feita pelo TSE provocaria dúvidas nos eleitores e poderia aumentar os votos nulos. "O projeto é para repor a ordem consagrada em mais de dez eleições", defendeu o líder do PSDB na Câmara, João Almeida (BA).

A descoberta tardia da mudança da ordem pela resolução do TSE, feita há quase quatro meses, provocou uma operação relâmpago na Câmara. O projeto foi apresentado à tarde, recebeu apoio dos líderes para ser votado em regime de urgência, foi aprovado e chegou ao Senado ontem mesmo. A votação foi simbólica, sem o registro dos votos no painel eletrônico.

Antes da votação, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB), ligou para o presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, para informá-lo da mudança. No plenário, Temer relatou aos deputados as ponderações do ministro, preocupado com as cerca de 400 mil urnas eletrônicas já programadas. O argumento não sensibilizou os deputados, que votaram rapidamente o projeto.

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