Câmara terá uma renovação de 43,7%

Taxa é inferior à de 2006, mas 224 dos 513 deputados não obtiveram a reeleição; RR trocou 7 dos 8 parlamentares

Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 00h00

Dos 513 integrantes da Câmara dos Deputados, 224 não voltarão no próximo ano - renovação de 43,7%. O Estado que mais alterou sua bancada foi Roraima - sete das oito vagas terão novos ocupantes. O Rio Grande do Norte foi o que menos modificou sua base - das oito cadeiras, sete serão de deputados reeleitos.

Os três maiores colégios eleitorais - São Paulo, Rio e Minas - tiveram renovação de 44,3%, 46% e 36%, respectivamente. Segundo o Departamento Intersindical de Assessoramento Parlamentar (Diap), a mudança foi a maior em 1990 - 62%. Em 2006, o porcentual atingiu 48,7%.

Na lista dos que não se reelegeram estão nomes de peso, como os tucanos paulistas Vanderlei Macris, Walter Feldman, Ricardo Montoro e Arnaldo Madeira. O PT também registrou baixa importante, com a não reeleição de José Genoino. Ainda ficaram de fora da próxima legislatura os deputados William Woo (PPS-SP) e Luiz Antonio de Medeiros (PDT-SP). No Rio, Marcelo Itagiba (PSDB) foi um dos que não conseguiram se reeleger.

A maior votação foi do palhaço Tiririca (PR-SP), 1,3 milhão de votos. Se destacaram ainda Garotinho (PR-RJ), com 694 mil; Manuela D"Ávila (PC do B-RS), com 482 mil; Ana Arraes (PSB-PE), com 387 mil, e Ratinho Jr. (PSC-PR), com 358 mil.

A relação de proporção de votos é encabeçada por Antônio Reguffe (PDT-DF), que obteve 18,95%. Ele é seguido por Márcio Bittar (PSDB-AC), com 15,34%; Marinha Raupp (PMDB-RO), com 14,23%; Teresa Jucá (PMDB-RR), com 13,39%, e Fátima (PT-RN), com 13,33%. O deputado federal menos votado foi o ex-big brother Jean Wyllys (PSOL-RJ), com 0,16% - se elegeu graças à votação de Chico Alencar.

As regras de votação permitem que candidatos bem votados em seus Estados não se elejam, enquanto outros sejam levados ao parlamento pelos "puxadores" de voto. Nessas eleições, o caso mais emblemático foi o de Tiririca, que emplacou três candidatos - Otoniel Lima (PRB-SP), Vanderlei Siraque (PT-SP) e Protógenes (PC do B-SP).

Segundo o Diap, 478 eleitos foram beneficiados por "puxadores" de voto - ou seja, só 35 deputados conseguiram se eleger com seus próprios votos.

Com quase 100% das urnas apuradas, o PT confirmou as projeções e conseguiu superar o PMDB, tornando-se o partido com maior número de cadeiras na Câmara - 88 ante as 83 de 2006. A maior bancada já obtida pelo partido foi em 2002: 91 assentos. Somadas, as nove siglas que compõe a principal base de apoio da candidata Dilma Rousseff (PT) detêm 309 das 513 cadeiras da Câmara. Isso dá a um eventual governo petista a chamada maioria constitucional.

Os dois principais partidos de oposição ao presidente Lula, PSDB e DEM, perderam juntos 34 deputados. A bancada oposicionista conseguiu 111 cadeiras.

Apesar da "onda verde" alavancada pela candidata Marina Silva (PV), o partido não cresceu tanto na Câmara - saltou de 13 para 15 cadeiras. O número pode diminuir conforme o resultado de julgamentos de candidatos barrados pela Lei da Ficha Limpa.

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