Câmara vai acompanhar apuração da morte dos fiscais

Sob o comando do presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), uma comissão de sete deputados vai amanhã a Unaí (MG), a cerca de 160 quilômetros de Brasília, onde três fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho foram executados na quarta-feira, quando faziam vistorias na zona rural da cidade."Vamos ouvir os que podem ajudar a dar pistas, como o delegado do Trabalho na região, o representante da Secretaria deSegurança Pública de Minas, as testemunhas, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura, o Ministério Público local e oprefeito", disse o deputado Eduardo Valverde (PT-RO), um dos integrantes da comissão da Câmara. Ele é auditor licenciado doMinistério do Trabalho e já havia trabalhado com os mortos, todos eles da delegacia de Minas, em fiscalizações feitas no Pará. "É o modo de registrar a indignação da Câmara. Vamos tentar mostrar para a sociedade que o mais importante é darcontinuidade a esse trabalho que acaba com a escravidão", disse o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). "O Brasilnão pode conviver com a prática do escravismo, retirada da nossa História há muitos anos", afirmou ele. Em seguida, fez umaadvertência: "É bom (os escravagistas) botarem as barbas de molho?. Nesse momento, uma repórter perguntou a João Paulo como ficaria a situação do vice-presidente da Câmara, Inocêncio Oliveira(PFL-PE), condenado em primeira instância por "trabalho escravo" em uma de suas fazendas, no Maranhão, depois de umainspeção do Ministério do Trabalho. João Paulo desconversou. Havia seis meses ele subira à tribuna da Câmara para defenderInocêncio. "Quem vai decidir isso é a Justiça", disse.

Agencia Estado,

29 de janeiro de 2004 | 18h32

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