Câmara vai investigar suplente que se passou por vereadora

O caso da suplente de vereador Bilu Villela, que aproveitou a tragédia na obra do Metrô para se promover, será analisado pela presidência da Câmara de São Paulo. Bilu se disse vereadora e foi até a cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, para acompanhar o enterro do cobrador Wescley Adriano da Silva, no sábado. Em meio a emoção do sepultamento, anunciou a construção de um memorial às vítimas da cratera.No local, afirmou ser representante do prefeito Gilberto Kassab e do governador José Serra, o que foi desmentido pelo secretário de Justiça do Estado, Luiz Antonio Marrey.A suplente, que se chama Edviges Ceminati de Oliveira Villela de Andrade, justificou que foi diplomada e tem carteira parlamentar válida até 2008. Em 2006, ela substituiu o vereador Carlos Apolinário (candidato do PDT a governador) por 119 dias. O presidente da Câmara, Antonio Carlos Rodrigues (PL), disse que Bilu "foi investida como vereadora, mas não até o fim do mandato". Afirmou que encerrada a substituição, ela deveria ter devolvido a carteira.ApresentaçãoEm Pinheiros, como em Natal, se apresentava como vereadora da capital e entregava cartão de visitas com o logotipo da Câmara. O telefone citado é o do gabinete de Apolinário. "Tive autorização para representar a dor de São Paulo. Coloquei ao doutor Marrey (secretário estadual de Justiça) que iria providenciar uma manifestação de solidariedade. Houve conhecimento do secretário de Justiça", disse Bilu neste domingo."A legislação municipal me permite ser vereadora até 2008. Posso me intitular como vereador por estar diplomada até 2008." Porém, as assessorias de Kassab e de Serra informaram que nenhuma pessoa foi incumbida de representar prefeito e governador em qualquer ato ou reunião com os familiares das vítimas.Também foi negada proposta de fazer um memorial aos mortos. "Ela não tem autorização. Uma coisa é ser vereadora, e outra é ser suplente. O governo de São Paulo não se faz representar por pessoas desse tipo. Isso é mentiroso", explicou o secretário estadual de Justiça, Luiz Antonio Guimarães Marrey.Pode haver crime de falsidade ideológica. Bilu Villela confundiu as funções do Poder Executivo (Prefeitura) e do Legislativo (Câmara). Em sua página pessoal na internet, Bilu citou que "atua como Vereadora na Prefeitura de São Paulo pelo PTB assumindo o cargo em 30/05/2006".Esse mesmo site demonstra outra farsa. O contador de visitas muda cada vez que se passa de um item para o outro. O site cita o endereço da Câmara Municipal para contato. "Vou ver se está desatualizado", justificou. Ela ainda aparece numa página falsa da Câmara de São Paulo.

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