Celso Junior/AE-27/4-2011
Celso Junior/AE-27/4-2011

Câmara veta, mas Jaqueline vai aos EUA

Indicação de deputada envolvida no ''mensalão do DEM'' a fórum internacional foi vetada pela Câmara, mas ela viajou mesmo assim

Eduardo Bresciani / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2011 | 00h00

Investigada no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, Jaqueline Roriz (PMN-DF) foi indicada pela Comissão de Relações Exteriores para representar a Casa em um fórum internacional da Organização das Nações Unidas em Nova York. A indicação não foi aceita pela Presidência da Casa, mas a deputada viajou mesmo assim.

Jaqueline responde a processo no conselho devido ao vídeo de 2006 no qual aparece recebendo um pacote de dinheiro do delator do "mensalão do DEM", Durval Barbosa. Para salvar o mandato, a deputada argumenta que o fato é anterior a sua posse. Ela já admitiu, porém, que o dinheiro foi usado para caixa 2 de campanha eleitoral.

A viagem acontece na semana em que o Conselho de Ética desejava tomar seu depoimento sobre as denúncias. A parlamentar, porém, já tinha avisado que não compareceria e daria explicações somente por escrito.

Relator do processo contra Jaqueline, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) criticou a atitude da colega. "Uma deputada representada no Conselho de Ética pela prática de fato tido como indecoroso não pode pedir licença para representar a Câmara", disse.

A polêmica indicação foi pedida pela deputada ao presidente da Comissão, Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). Ele concordou e, no dia 4 de maio, assinou ofício para que Jaqueline e Dalva Figueiredo (PT-AP) representassem a Câmara no Fórum Permanente para Comunidades Indígenas no âmbito do Conselho Econômico e Social da ONU.

O requerimento previa uma viagem de 16 a 27 de maio, apesar de a comissão ter aprovado a viagem para Jaqueline apenas de 16 a 19 de maio. Ela não pediu que a viagem fosse paga pela Casa, queria apenas o status de viajar em "missão oficial" e o consequente abono de suas faltas. A assessoria de Leréia disse que a indicação foi aceita porque Jaqueline é integrante da comissão.

Por telefone, a deputada informou a missão brasileira junto às Nações Unidas que ainda não estava em Nova York pois aguardaria a autorização do presidente da Câmara. Segundo o Estado apurou, Jaqueline disse que permaneceria na casa de familiares durante a sua estada na cidade.

O ofício da Comissão de Relações Exteriores chegou à Presidência da Câmara no dia 5 de maio. O presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), viajou na quinta-feira passada sem analisar o pedido de Jaqueline. A questão chegou no dia 13 às mãos da presidente interina, Rose de Freitas (PMDB-ES). Ela se recusou a dar a autorização.

O gabinete de Jaqueline pediu que a decisão fosse reconsiderada, mas Rose de Freitas manteve sua posição. A assessoria de Jaqueline afirma que o contato informal foi feito apenas na noite do dia 13, quando a deputada já estava para embarcar.

Ela seguiu viagem mesmo sem ter a condição de representante oficial da Câmara. Sua assessoria afirma que ela está participando do evento como observadora. / COLABOROU GUSTAVO CHACRA

 

 

 

Ofício. Leréia indica a deputada para representar Comissão

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