Camaronês torturado é jogado ao mar a 10 quilômetros da costa brasileira

Homem foi resgatado há cerca de um mês, mas as investigações impediam a divulgação do caso

Gheisa Lessa, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 16h22

SÃO PAULO - A Polícia Federal do Paraná, em conjunto com o Ministério Público Federal, investiga a tripulação de um navio acusada de torturar e lançar ao mar um homem de 28 anos, vindo de Camarões. O homem foi resgatado há cerca de um mês, a mais de 10 quilômetros da costa brasileira, mas diligências das investigações impediam a divulgação do caso.

O camaronês afirma ter deixado o país a procura de melhores condições financeiras. Ele embarcou clandestinamente em um navio com bandeira de Malta, no Porto de Douala, em Camarões. O homem afirma que não sabia qual destino teria o navio. Depois de ficar seis dias escondido, ele procurou a tripulação.

Em depoimento, ele afirmou ter sido trancado em uma sala da embarcação por quatro dias, onde foi torturado e verbalmente agredido. Finalmente, a tripulação o abandonou em alto-mar com uma lanterna sobre um pallet (espécie de estrado de madeira usado para movimentação de carga), uma pequena quantia em dinheiro.

De acordo com o delegado chefe da Delegacia da Polícia Federal de Paranaguá, Gabriel Pucci, um navio proveniente do Chile encontrou e resgatou o camaronês em alto-mar. As autoridades brasileiras foram então contatadas para pedir a autorização do desembarque do clandestino no Porto de Paranaguá.

Investigações. Com um mandado de busca e apreensão, agentes da Polícia Federal localizaram e concluíram a varredura na embarcação onde ele diz ter sido torturado. Pucci afirma que o clandestino foi muito específico ao detalhar o cenário de onde tinha sofrido as agressões e a polícia pôde reconhecer o local. "A fotografia continuava colada onde ele havia afirmado", diz. Entretanto, a tripulação do navio nega a presença do camaronês.

"Ficou clara a presença dele no navio", afirma o delegado chefe. Neste momento, segundo a Polícia Federal, as investigações seguem com o objetivo de identificar os responsáveis pelos crimes. No caso, são três crimes apurados: tentativa de homicídio qualificado, tortura e injúria racial.

O camaronês está hospedado em um hotel aos cuidados da empresa responsável pelo navio que o resgatou em alto-mar. A transportadora ofereceu também segurança para impedir a fuga do clandestino. "Ele continua no País até que o processo termine. Quando o caso for concluído, ele será repatriado ao seus país", diz Pucci.

Tudo o que sabemos sobre:
Camaronêsresgatealto-martortura

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.