Cambistas vendem ingressos para desfiles com ágio de 100%

Eles agiam à vista da PM e entregavam a clientes até ?cartões de visita?

Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

21 Fevereiro 2009 | 00h00

À vista de policiais militares e guardas-civis, cerca de cem cambistas se aglomeravam ontem à noite na frente do sambódromo do Anhembi, faltando poucas horas para o início dos desfiles. Um cartaz afixado na bilheteria, onde se lia: "Sábado: ingressos esgotados" permitia a eles cobrar até 100% sobre o valor dos bilhetes para os desfiles da primeira noite.Pelo menos cinco homens ouvidos pela reportagem disseram ter pago propina aos PMs para não serem incomodados. Segundo eles, cada vendedor ilegal teve de desembolsar R$ 200 para trabalhar ali ontem. Em relação a isso, o comandante Ricardo de Souza Ferreira, do 9º Batalhão da PM, responsável pela segurança local, informou que mandaria apurar o caso e, se as suspeitas se confirmassem, os policiais seriam autuados. Segundo ele, a presença de 50 policiais à paisana também deveria ajudar no combate aos cambistas. Mas os vendedores pareciam tranquilos: a arquibancada que custava oficialmente R$ 40 era vendida a R$ 80 e os ingressos que saíam nos postos oficiais por R$ 95 passaram para R$ 120 ou R$ 150.Para atrair os clientes, os vendedores ilegais diziam que hoje esses mesmos ingressos poderiam custar até R$ 250. "Não vai adiantar pesquisar porque aqui a gente trabalha com preço tabelado", dizia um dos homens. Os cambistas especulam que, para o desfile desta noite, ainda existam entre 300 e 1 mil ingressos disponíveis. Outro cambista, Adinan de Souza tentava garantir a clientela apelando para a honestidade: mostrava o RG, entregava um cartão e deixava até o celular. "Comigo é garantido. Tudo é original. Cuidado para não pegar falsificado por aí."Segundo o comandante da Polícia Militar, a prioridade do policiamento é fazer os foliões chegarem em segurança ao sambódromo. "O policial não estará ligado diretamente no cambista e sim no cara que comete algum tipo de crime. A visão do policial deve dar a sensação de segurança ao usuário para que ele entre tranquilamente no Anhembi", disse Ferreira. Ele acreditava, porém, que os bloqueios feitos na área de concentração e da dispersão ajudariam a coibir a ação dos cambistas. "Nessa área só entrarão pessoas com ingresso e os cambistas não vão diretamente na catraca para vender as entradas", disse.

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