Camboriú investe para atrair turista chileno

A prefeitura do Balneário Camboriú, principal destino turístico do Estado de Santa Catarina, está divulgando a beleza de suas praias no Chile. O objetivo é seduzir o turista chileno para ocupar o espaço deixado pelo argentino que, premido pela crise econômica do seu país, terá menor presença na costa brasileira neste verão. O prefeito Leonel Pavan (PSDB) e uma comitiva de hoteleiros do município esteve em Santiago, em novembro, em plena crise argentina, para mostrar as vantagens do verão catarinense. "Não podemos ficar presos a um único mercado", disse o secretário municipal de turismo, Osmar Nunes Filho. Ele se referia à forte dependência do turista argentino para garantir a ocupação dos 20 mil leitos oferecidos pelos 110 hotéis e 100 pousadas do balneário, sobretudo durante os meses de fevereiro e março. "Com o fim das férias escolares no Brasil, ficamos na dependência desse turista para completar a temporada", explicou.No início de 2001, as praias de Camboriú foram visitadas por 308 mil turistas estrangeiros, mais de 80% argentinos. É bem mais que os 233 mil que estiveram na capital, Florianópolis. A receita gerada, de US$ 99,6 milhões, é três vezes superior à arrecadação anual da prefeitura, de R$ 80 milhões; a soma iguala a de Florianópolis, que arrecada anualmente cerca de R$ 220 milhões. A queda no número de turistas argentinos deve ser de 50%, segundo o secretário. O impacto maior ocorrerá em março, quando o turista estrangeiro responde por 90% da ocupação hoteleira da cidade. Além da queda no faturamento dos hotéis, haverá redução na atividade comercial. Muitos shoppings e lojas de grife instalaram-se no balneário para atender os argentinos.Antes de partir para a ofensiva no Chile, a secretaria fez uma pesquisa entre os empresários do setor. "Chegamos à conclusão de que a diferença cambial favorece o turista daquele país." Um peso chileno vale 1,5 real, segundo Nunes Filho. "O Chile tem uma economia estável e as férias lá começam em fevereiro, quando aqui já estamos em aulas." O início do período letivo reduz fortemente o turismo interno. A prefeitura de Camboriú promoveu uma noite do balneário, em Santiago. O secretário, que integrou a comitiva, conta que os chilenos foram muito receptivos. "Eles têm grande simpatia pelo Brasil." Foram feitos contatos com agências de viagens e operadoras de turismo. Os primeiros pacotes serão fechados em janeiro. Segundo Nunes Filho, o turista chileno é menos exigente que o platino. Ele virá para ficar entre 7 e 10 dias, gastando em média US$ 27 por dia. "É a média gasta pelo brasileiro." O turista argentino gasta em média, em Camboriú, US$ 25 diários, cerca de US$ 11 a menos do que gastaria em Florianópolis. "Nosso turista é mais jovem, com menor poder aquisitivo." A prefeitura também pretende atrair o turista do interior de São Paulo. "Fizemos uma parceria com o parque multitemático de Beto Carrero, instalado no município vizinho de Penha, para trazer o visitante à praia." Foram criadas novas atrações, segundo ele. Uma empresa investiu US$ 12 milhões para construir um teleférico de 2,5 quilômetros, com 47 bondinhos para seis pessoas, ligando a praia do centro do balneário à de Laranjeiras, por sobre o Morro da Aguada. A cidade também vai em busca do turista europeu. Uma delegação comandada pelo prefeito participa, em janeiro, de uma feira internacional de turismo em Portugal. No mês seguinte, o mesmo grupo seguirá para a Espanha.

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