Camelôs dormem em frente a Subprefeitura da Mooca

Ambulantes querem negociar a política de reorganização do comércio informal

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 13h04

Cerca de 50 ambulantes passaram a noite se revezando em acampamento na frente da Subprefeitura da Mooca para pressionar o governo a receber uma comissão de negociação. Eles são contra a política de reorganização do comércio informal no bairro.Por volta das 7h50, eles aguardavam a chegada do restante dos ambulantes - os vendedores da feira noturna da R. Oriente, que acaba as 7h30 - para iniciar uma manifestação.No protesto de cerca de 200 camelôs da quarta-feira, 20, pelo menos cinco pessoas, três delas mulheres de meia idade, ficaram levemente feridas. O tumulto aconteceu as 13 horas, quando os manifestantes atiraram um tijolo no portão da subprefeitura, que havia sido trancado pela Guarda Civil Metropolitana. Para evitar a invasão dos ambulantes, a GCM reagiu com cassetetes, empurrões e gás pimenta. A assessoria de imprensa da subprefeitura informou que o local abriga duas escolas, uma filial da AACD e um centro esportivo, e por isso a entrada dos manifestantes foi proibida.Os diretores do sindicato conseguiram conter os ânimos ao informarem que seriam recebidos pelo subprefeito, Eduardo Odloak. Por telefone, Odloak informou que não estava no local e também que não receberia os camelôs. Segundo ele, os diálogos já duram dois anos, e o sindicato vem "enganando por muito tempo" os camelôs irregulares, porque "deu esperança de regularizar a situação".Enquanto o subprefeito falava à reportagem por telefone, um grupo de ambulantes atirou um tijolo no portão, que se abriu. A GCM, então, partiu para cima dos manifestantes, que saíram correndo para a rua. As cinco pessoas que ficaram feridas foram levadas pela Polícia Militar até o 12º Distrito Policial para registrar a ocorrência.Sem perspectivas de um encontro com o subprefeito, os camelôs mantiveram diálogo pacífico com a PM. A única conquista do dia foi a entrega oficial das reivindicações a um funcionário. ApitaçoDurante a manhã da quarta-feira, o Sindicato dos Camelôs Independentes de São Paulo (Sindcisp) promoveu um apitaço pelas ruas mais movimentadas do Brás, o que deve se repetir nesta manhã. Alguns lojistas fecharam as portas por medo, mas nenhum vendedor ambulante regular deixou de trabalhar, apesar de pelo menos dois manifestantes terem ordenado a paralisação do comércio."Eles têm que lutar, sim, mas na Prefeitura; nós não temos culpa e precisamos trabalhar", afirmou uma ambulante com Termo de Permissão de Uso (TPU), documento que a autoriza a trabalhar na rua. No meio da manhã, foram os camelôs que ficaram mudos quando uma mulher, dirigindo um Escort preto, apontou uma arma de fogo em direção ao protesto quando foi impedida de trafegar pela Rua Bresser.Ela se identificou como policial e disse ter ficado intimidada quando um grupo de pessoas cercou seu veículo. Sem entrar em conflito com os ambulantes, a policial esperou até o fim da manifestação para ir embora. Além dela, dezenas de motoristas ficaram presos nas vias afetadas pelo ato, que não haviam sido interditadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

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