Camelôs e crise pioram movimento da 25 de Março

O grande movimento na manhã deste sábado nas lojas da Rua 25 de Março, no centro da cidade, não empolgou os comerciantes, que reclamaram da queda do faturamento nesta época do ano. A crise econômica e o eterno problema dos camelôs que, mesmo sem a licença da Prefeitura, insistiram em trabalhar, causaram uma queda de 50% nas vendas. Os lojistas se queixaram do rendimento, que está inferior ao do ano passado. Segundo Cristiane de Souza, 24 anos, gerente da loja de bijuterias Vice-Versa, com o tumulto dos camelôs o movimento caiu, melhorando apenas na quinta-feira. A loja costuma faturar durante a semana nas vendas de atacado. "Sexta e sábado é mais caroço", diz Cristiane, se referindo às pessoas que apenas pesquisam preços, mas não fazem compras. As lojas que vendem enfeites de Natal foram as que tiveram maior movimento ontem. Jorge Dimov, de 44 anos, gerente comercial da Universal, que vende artigos para festas, teve prejuízos durante os dias de confronto e espera que os próximos 15 dias sejam bons. O comerciante Sérgio Zahr , 58 anos, atribui a queda das vendas à crise econômica, e não aos camelôs. De acordo com Zahr, a fiscalização precisa ser feita principalmente porque os ambulantes ilegais atrapalham a passagem dos pedestres. Para ele, houve uma melhora, apesar de o problema não ter sido resolvido. Situada na Rua Ladeira Porto Geral, uma loja de bijuterias, que foi prejudicada com o tumulto dos camelôs, esteve fechada durante toda manhã deste sábado. Apesar da fiscalização, muitos ambulantes permaneciam com suas barracas ou com lonas "pára-quedas" no chão vendendo seus produtos. Esses camelôs são conhecidos como "siris" - saem, mas sempre retornam. Por volta das 11h, cerca de 80 funcionários da Prefeitura, junto com a Guarda Civil Metropolitana, fizeram várias apreensões. Uma delas foi a barraca localizada na frente do número 1090, de Maria Etelvina, uma boliviana de 48 anos que portava uma licença emprestada de um deficiente físico. A fiscalização apreendeu toda as meias da barraca, que foram levadas para a Subprefeitura da Sé. Mesmo com os constantes conflitos entre camelôs e fiscais, muitas pessoas vão à 25 de março por pura curiosidade ou para fazer pequenas compras. Como a gerente de marketing Rita Rocha, de 38 anos, que havia comprado roupas infantis e brinquedos para crianças carentes que costuma ajudar todos os anos. Fabrício Jacuzzi, analista logístico, 41 anos, que estava acompanhado de Rita, é um francês que vive há um ano em São Paulo e estava indo pela primeira vez ao centro da cidade. Ele se impressionou com a falta de organização do comércio da região. A administradora de empresas Renata Guerra, de 22 anos, e suas irmãs Rachel e Rebecca, aproveitaram o sábado para comprar presentes de amigo secreto. As três só ficaram um pouco assustadas com a chegada dos fiscais e resolveram ficar dentro da loja, caso houvesse alguma confusão. Ao contrário dos comerciantes, muitos camelôs faturaram bastante. Antes da chegada dos fiscais, Marcelo Gonais da Silva, de 26 anos, havia vendido 120 mini-árvores de Natal, por R$ 3 e R$ 5. Já Moacyr Gonçalves, 50 anos, reclamava que a fiscalização atrapalhava suas vendas. Ele vende brinquedos por R$ 5 e não havia faturado nada antes dos fiscais aparecerem.

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