Camelôs fecham o comércio na 25 de Março

Lojistas só abriram à tarde; homem foi detido por tentar agredir GCM

Bárbara Souza, O Estadao de S.Paulo

14 de junho de 2008 | 00h00

Em mais um dia de manifestações de camelôs, as lojas da Rua 25 de Março, no centro, só abriram no início da tarde. Cerca de cem vendedores ambulantes participaram dos protestos, que começaram ontem por volta das 7h30 e só terminaram às 13h30. Uma pessoa foi detida por tentar agredir um guarda-civil metropolitano (GCM). Não houve feridos. Os ambulantes prometem continuar com as manifestações até serem atendidos pelo prefeito Gilberto Kassab.Eles protestam desde segunda contra a GCM, que vem intensificando a fiscalização sobre a venda de produtos pirateados ou contrabandeados na região há cerca de 20 dias. "Os guardas estão batendo sem dó e levando nossas mercadorias", disse o vendedor de refrigerante Gilvado Alves Neves. "Refrigerante não é pirataria."O secretário de Segurança Urbana, Edsom Ortega, diz que a Prefeitura não vai ceder. "Não negociamos com quem vende contrabando, pirataria ou carga roubada", disse. Segundo ele, comerciantes que vendem produtos legais, como artesanato, vão se reunir com a Subprefeitura da Sé na próxima semana para traçar alternativas de comércio.Ao contrário do primeiro dia de protestos, marcado por intenso confronto entre camelôs e GCMs, ontem não houve bombas nem Tropa de Choque, apenas atritos isolados entre policiais e camelôs. Enquanto um grupo fazia um apitaço e obrigava lojistas a baixarem as portas, outro vendia seus produtos livremente pela 25 de Março e ruas próximas. Quando os primeiros percebiam que havia "colegas" trabalhando, corriam até eles e os cercavam para obrigá-los a aderir ao movimento ou deixar o local. "Estão fazendo o papel de GCM", revoltou-se um dos que insistiram em continuar trabalhando com a venda de CDs piratas. "É brincadeira? Agora é camelô correndo de camelô."Concentrados no cruzamento da 25 de Março com a Ladeira Porto Geral, os manifestantes subiram até a Rua Boa Vista, passaram pela Florêncio de Abreu e retornaram à 25 pela Ladeira da Constituição. Com medo, lojistas de todas essas vias fecharam o comércio. Pelo menos duas lojas e um carro, encurralado no meio da passeata na Ladeira Porto Geral, foram danificados.PRISÃOLogo depois disso, policiais militares decretaram o fim do protesto e chegaram a dar voz de prisão a líderes da manifestação. A passeata prosseguiu depois de negociações com os camelôs. "O plano era percorrer só a 25 de Março, mas tem um grupo que puxa o movimento, sem respeitar a direção, a hierarquia", discursou aos manifestantes o coordenador do Movimento de Ambulantes de São Paulo, Juarez José Gomes.Alguns comerciantes só se arriscaram a abrir as lojas logo depois que a passeata passou. A via ficou interditada do início da manhã até as 14 horas, quando os consumidores voltaram a encher as lojas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.