Camelôs terão shopping no centro de SP

Os vendedores ambulantes que trabalham na Rua Santa ifigênia, na região central de São Paulo, terão shoppings-centers e sairão da economia informal. A idéia de criar os shoppings só com marreteiros surgiu numa reunião entre representantes da prefeitura e o Sindicato dos Camelôs do Estado de São Paulo. A principal diferença em relação aos ´camelódromos´ já existentes na cidade, além do espaço físico com maior infraestrutura, como banheiros e refeitório, é que nesse caso a administração ficará nas mãos da iniciativa privada.O presidente do sindicato, José Artur Aguiar, disse que esse será o primeiro passo para a legalização do comércio informal. "Através dessa parceria, vamos conseguir tirar esse pessoal das ruas e dar condições para que os vendedores ambulantes trabalhem dentro da lei", disse. Ele acrescentou que novas parcerias com outras empresas estão em andamento.O primeiro shopping, instalado num terreno na Rua Santa Ifigênia, será aberto na próxima quarta-feira. O proprietário do local e responsável pelo shopping, Jorge Ragueb, afirmou que a iniciativa é um bom negócio para o empresariado e também para os futuros consumidores. "O consumidor vai entrar, vai ter nota fiscal, vai ter um garantia de onde achar o camelô", declarou. O próximo shopping de camelôs deverá ser construído em maio, na Rua Vitória, também na área central da capital.Para secretário, proliferação de ambulantes é culpa do governo federalO secretário municipal de Implementação das Subprefeituras de São Paulo, Jilmar Tatto, disse que a proliferação de vendedores ambulantes na cidade se deve ao desemprego e que o governo federal não investe no emprego, por isso, milhares de trabalhadores "caem na informalidade". Durante entrevista à Rádio Eldorado AM/SP, o secretário também atribuiu ao governo a ineficiência da fiscalização de mercadorias contrabandeadas que, segundo ele, incentivam a prática do comércio por camelôs. Ele explicou que o roubo de cargas também estimula os ambulantes porque muitas vezes os produtos roubados param nas mãos deles.O secretário Jilmar Tatto, no entanto, admitiu que a Prefeitura também deve coibir o comércio irregular e disse que mil agentes de apreensão foram contratados e que está definindo os locais onde os marreteiros poderão trabalhar. "Aqueles que têm a permissão vão trabalhar, mas vão ter que pagar uma taxa para a Prefeitura", informou. Ele afirmou que os ambulantes que não têm a permissão estão sendo retirados das ruas. "Nós já começamos esta operação em alguns pontos na região central e na região de Pinheiros, mas não é fácil", avisou. Tatto acredita, porém, que se os governos municipal, estadual e federal agirem coordenadamente, o número de vendedores irregulares na cidade será reduzido.

Agencia Estado,

15 de abril de 2002 | 13h22

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