Câmeras do Santos Dumont não gravam

Segundo a Infraero, faltou verba para o sistema na reforma do terminal

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

08 de março de 2009 | 00h00

O Aeroporto Santos Dumont, por onde circulam 3,5 milhões de pessoas por ano, não tem sistema de gravação de imagens. As 124 câmeras espalhadas pelo embarque e desembarque servem apenas para acompanhamento em tempo real. A Infraero informa que, na reforma do aeroporto, faltou verba para a compra do equipamento de gravação, o que deve ser feito em agosto. E ressaltou, em nota, que o fato de as imagens não serem armazenadas "não fragiliza a segurança do terminal".Mas um episódio corriqueiro ocorrido com a arquiteta Karina Piccioni La Farina, de 36 anos, mostra que não é bem assim. Ela esqueceu uma pulseira valiosa ao passar pelo detector de metal, em 5 de janeiro. Entrou em contato com a Infraero e com a empresa de segurança, sem resposta. Quando voltou ao Rio, pediu para ver as fitas do circuito interno. Foi informada de que as imagens não ficam armazenadas. "Isso é um absurdo. Se um louco decidir metralhar todo mundo ninguém vai ter a imagem do sujeito", reagiu.O diretor-técnico do Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias, Ronaldo Jenkins, lembra que o monitoramento por câmeras está previsto no plano de vigilância aeroportuária e é um dos itens que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) tem de fiscalizar. "A possibilidade de ter a gravação amplia a segurança no aeroporto."O Santos Dumont teve pelo menos um episódio grave em que as imagens teriam ajudado nas investigações. Em 28 de fevereiro de 1998, seis homens armados roubaram R$ 1 milhão que era transportado de Campos dos Goytacazes para o Rio. Eles levaram o dinheiro no momento em que os malotes eram descarregados."Um aeroporto como o Santos Dumont já devia ter um sistema de segurança adequado, ainda mais agora em que se fala na ampliação de voos", defendeu o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ). Ele já teve um laptop furtado no Santos Dumont e não foi possível identificar o criminoso. "Na época, se falava numa quadrilha de peruanos que havia se especializado em furtar nos aeroportos. As gravações teriam impedido novos casos."A atriz Grazi Massafera também teve a bolsa levada dentro do Santos Dumont, em 2006. O delegado Alan Luxardo, da 5ª Delegacia de Polícia (Mem de Sá), diz que os casos de furto no aeroporto são esporádicos. "Agora, qualquer equipamento que facilite o trabalho de investigação é bem-vindo", diz.A Anac confirmou que a instalação de câmeras faz parte dos itens de inspeção. Mas disse que não teria porta-voz para falar sobre o assunto.

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