Câmeras e guardas contra a violência

Temporada será o primeiro grande teste para o sistema de segurança montado em São Sebastião

Bárbara Souza, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

A próxima temporada de verão será o primeiro grande teste do sistema de segurança iniciado neste ano em São Sebastião, no litoral norte. A expectativa é de que as 37 câmeras de monitoramento instaladas e os 60 homens da Guarda Civil Municipal, implantada em julho, consigam manter no verão os baixos índices de criminalidade no município. Já as vizinhas Bertioga e Caraguatatuba amargam aumento do número de homicídios.Entre 2001 e 2005, a cidade sofreu com a criminalidade crescente. Então, desistiu de esperar o reforço no policiamento e decidiu adotar medidas que alguns condomínios já faziam havia muito tempo: monitoramento por câmeras, criação da Guarda Municipal e participação ativa da sociedade.Até agora, vem dando certo. São Sebastião registrou 10 homicídios neste ano, entre janeiro e setembro, ante 13 do ano passado. Apesar de o número de furtos ter aumentado no período - de 941 em 2007, ante 1.064 neste ano -, a cidade reduziu também o índice de roubo, de 168 para 133, e de furto e roubo de veículos - caiu de 82 para 40 casos.Só na criação da Secretaria de Segurança Urbana, que inclui a guarda, a defesa civil, fiscalização de trânsito e guarda patrimonial, foram investidos R$ 11 milhões. A previsão orçamentária para 2009 é de R$ 12 milhões nessa área. A instalação da central de monitoramento e das 37 câmeras blindadas espalhadas pelo centro, na costa norte e em bairros até então considerados perigosos, como a Topolândia, custou R$ 1,6 milhão. São Sebastião deve ter um orçamento de R$ 300 milhões no ano que vem."Estou muito otimista", diz o presidente do Conselho de Segurança (Conseg) da Costa Sul, Éder Ávila. O Conseg engloba áreas importantes para o turismo de São Sebastião, como Juqueí, Baleia, Saí, Maresias e Camburi. Todos os bairros têm um representante no Conseg e quase todos têm vigilância particular. "Chegamos a um ponto que, para ter segurança, temos de pagar por ela. Há alguns anos, as pessoas estavam vendendo suas casas."O apoio da comunidade ocorre por meio de reuniões para discutir questões básicas, como a segurança em si e ações sociais que podem reduzir a criminalidade, como iluminação e comportamento do turista. No dia 11, moradores de Juqueí, um dos bairros mais valorizados do litoral paulista, onde o condomínio chega a custar R$ 1.500 por mês, vão se reunir com o delegado seccional do litoral norte, Mússio Mattos, para discutir segurança. "O pessoal do litoral norte está percebendo que, se investir em segurança e limpeza das praias, está valorizando o próprio imóvel", diz o presidente da Sociedade Amigos do Juqueí (Samju), Luiz Carlos Frayse David, ex-presidente do Metrô de São Paulo. Entre outros assuntos, eles vão discutir como orientar o turista a tomar cuidados básicos para evitar ocorrências.Na Praia da Baleia, 95% dos moradores dos cerca de 30 condomínios colaboram para a Sociedade Amigos da Baleia (Sabaleia) manter os 22 funcionários da comunidade que cuidam da vigilância e limpam as praias. A sociedade mantém ainda cinco guarda-vidas, que contam com um jet ski. "É uma estrutura que vem sendo instalada há cinco anos", diz o coordenador da Sabaleia, Eduardo Nunes.

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