Câmeras e vigias particulares darão segurança à Parada Gay

Para reduzir problemas no evento, PM aposta sobretudo no controle da venda de bebidas

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

A 13ª edição da Parada Gay de São Paulo será a primeira a contar com esquema de prevenção de violência estilo "Big Brother". Parceria firmada entre a Polícia Militar (PM), os bancos localizados na Avenida Paulista (local do evento) e a Faculdade Cásper Líbero resultou na disponibilidade de um sistema de câmeras de segurança que tentará coibir, em tempo real e em meio as 3,5 milhões de pessoas esperadas amanhã, a onda de furtos, roubos e brigas que tirou parte do glamour das plumas, paetês e lantejoulas da edição passada.Em 2008, segundo dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública, triplicou o número de ocorrências policiais em relação a 2007. Foram 152 furtos, com três presos em flagrante, e 15 roubos no ano passado, ante 52 na Parada anterior. Em 2006, o total de furtos notificados foi de 80."Acertamos que este ano, pela primeira vez, as redes de câmeras de todos os bancos da Paulista, além da Cásper Líbero, vão monitorar a Parada", afirmou ontem o tenente-coronel Orlando Taveiros Costa Jr, comandante do 45º Batalhão da PM, responsável pela área onde será realizado o evento. "Qualquer movimentação fora do normal, ou suspeita de furto, a polícia será acionada por rádio e agirá imediatamente", completou o coronel que, alegando questão de segurança, não informou quantas serão as câmeras. Apesar da operação hi-tech, a grande aposta dos organizadores da Parada Gay, além da própria PM, é de que a fiscalização da venda de bebidas alcoólicas vai ajudar a reduzir os crimes embaixo da bandeira do arco-íris. No ano passado também foi recorde o número de participantes que entraram em coma por excesso de álcool, muitos "vítimas" do vinho vendido de maneira clandestina - por R$ 5. Este ano, porém, serão sete caçambas espalhadas pela Paulista para depositar as bebidas apreendidas. Isso porque a bebedeira é apontada como responsável pelas brigas e desatenção dos participantes com as carteiras, celulares e outros pertences. Além desse tipo de ocorrência, a polícia também promete estar em alerta para crimes homofóbicos. Policiais vão circular de moto nos acessos à Paulista para coibir a entrada de grupos de intolerância.HOMOFOBIA AM ALTAA Parada de 2009 vai marcar a alta da homofobia letal no País, de acordo com o dossiê divulgado há dois meses pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). De acordo com a entidade, os assassinatos contra homossexuais no Brasil cresceram 55% entre 2007 e 2008, passando de 122 para 187 casos. São Paulo ocupou o terceiro lugar no ranking nacional dos crimes - os 18 homicídios registrados são mais do que o dobro dos 7 casos notificados no levantamento anterior. Os números paulistas foram impulsionados pela série de assassinatos, ainda sem solução, que aconteceu no Parque dos Paturis, em Carapicuíba, região da Grande São Paulo, local onde 14 homossexuais foram mortos com tiros e pauladas nos últimos dois anos. Além da Força Tática, homens da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) também foram escalados. Este ano também será o primeiro com a atuação de seguranças privados. Serão cerca de 300 vigilantes patrimoniais.

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