Câmeras não gravam assalto em Rio Claro

Polícia investiga se bandidos tiveram ajuda dentro do condomínio de luxo onde Gabriela, de 8 anos, foi morta; família decidiu doar os órgãos

Tatiana Fávaro, CAMPINAS, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

A menina Gabriela, de 8 anos, atingida por um tiro na cabeça durante tentativa de assalto à casa de sua família, no condomínio de luxo Jardim Botânico, em Rio Claro, na noite de terça-feira, teve morte cerebral confirmada às 10h30 de ontem.Dois homens armados escalaram um muro aparentemente protegido por cercas elétricas e câmeras de segurança, que não estavam funcionando. Durante o assalto, o alarme da casa foi acionado. Foi quando um dos assaltantes disparou o tiro que atingiu a menina. Os homens fugiram em um carro roubado no condomínio. De acordo com o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Rio Claro, Paulo Henrique Nabuco, o tiro que acertou a vítima foi intencional, e não acidental, como divulgado no início das investigações.Testemunhas apontaram dois suspeitos, um de 17 anos e outro de 20, com passagens pela polícia por furto e porte de drogas. Ambos estão foragidos. A Polícia Civil confirmou que os assaltantes conseguiram levar joias e dinheiro.Ao menos cinco testemunhas foram ouvidas pela DIG. A polícia não descarta a hipótese de alguém de dentro do condomínio ter ajudado na ação dos suspeitos, já que as câmeras de segurança não gravaram as imagens da invasão.Parentes da vítima não quiseram dar entrevistas. No fim da tarde, o hospital Albert Einstein, onde Gabriela estava internada, informou que a família autorizou a doação dos órgãos da menina, mas não foi divulgado quais órgãos serão doados. Gabriela deve ser enterrada hoje à tarde no Cemitério Parque das Palmeiras, em Rio Claro.REVOLTANo Colégio Koelle, onde a menina estudava no período matutino, os professores foram orientados a não propagar o clima de terror e trauma. De acordo com o diretor e um dos proprietários do colégio, Gunar Koelle, muitas crianças - sobretudo as que moram no mesmo condomínio da família da vítima - faltaram à aula ontem."Tentamos acalmar os alunos. Hoje (ontem) pela manhã, antes de ter a notícia da morte cerebral, procuramos levar esperança de uma recuperação aos colegas", afirmou Koelle. Ele contou que a garota teve seu desenho escolhido em um concurso realizado com 258 alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental para ilustrar o convite da festa junina do colégio.Revoltados com a falta de segurança, moradores de Rio Claro programaram uma passeata para a manhã de hoje. "Enquanto cidades vizinhas têm sistemas de vigilância por câmeras, Rio Claro virou terreno fértil porque a polícia está desaparelhada", afirmou Koelle.

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