Câmeras vão vigiar alunos nas escolas

Na tentativa de evitar a violência nas escolas, a Secretaria estadual da Educação de São Paulo pretende instalar, a partir do segundo semestre, alarmes e câmeras de vídeo nas unidades que atendem alunos da 5ª à 8ª série e do ensino médio."São Paulo tem 94% dos jovens de 15 a 17 anos na escola, o que é muito bom. Alguns são de famílias que enfrentam a violência e dificuldades no dia a dia, que acaba invadindo a escola", diz a secretária da Educação, Rose Neubauer, ao explicar um dos motivos que fundamentaram a decisão. Segundo resultados preliminares de um levantamento feito pela Secretaria em todo o Estado, os casos de violência surgem com mais freqüência nas escolas que atendem jovens. O estudo também revela que 80% das ocorrências são depredações ou invasões de prédios.Por isso, a intenção é instalar alarmes nas cerca de 2.500 escolas que atendem essa faixa etária. As câmeras serão instaladas nas escolas em que há alta incidência de brigas entre estudantes. O sistema de segurança será mantido por empresas de segurança, que vão monitorar os colégios. Em caso de necessidade a polícia será acionada. A seleção das empresas será por meio de licitações feitas pelas Diretorias Regionais de Ensino.A secretária Rose estima que o custo do sistema será a metade do que se gasta atualmente para recuperar as unidades que são alvo de violência - entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões por ano.Embora educadores, pais e dirigentes das escolas vejam com bons olhos iniciativas para controlar a violência nas escolas, há quem questione a eficácia da proposta da Secretaria da Educação.Júlio Groppa Aquino, professor da Universidade de São Paulo (USP) e especialista no tema, é contra a medida. "Não adianta atacar os efeitos sem cuidar das causas. É uma medida infeliz." Aquino lembra que a violência se manifesta de muitas formas na escola (brigas entre alunos, agressões a professores e depredação são algumas delas) e, para cada uma, é necessário adotar um tipo de estratégia.Uma delas é transformar a violência em tema de discussão em sala de aula, a fim de modificar a percepção dos estudantes e, conseqüentemente, o comportamento deles. A coordenadora do movimento Pró-Educação, Elisa Toneto, acha que os dirigentes e professores deveriam acompanhar mais atentamente os alunos que se envolvem em brigas."Muitas vezes, o diretor chama o pai, tem uma conversa, mas fica por aí. Seria importante acompanhar a evolução do comportamento do garoto", analisa. O Sindicato de Especialistas em Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo) acredita que a proposta da Secretaria pode colaborar para reduzir a violência, mas, isoladamente, não ela não é suficiente."Há muitas escolas semi-abandonadas. Um vigia à noite já ajudaria a evitar as invasões", diz o diretor de comunicação da Udemo, Luiz Gonzaga de Oliveira Pinto.

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