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Caminhão destrói monumento em Ouro Preto

Um caminhão de bebidas desgovernado destruiu no final da tarde desta terça-feira o chafariz da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, um monumento construído no século XVIII.O acidente acontece no momento em que representantes do patrimônio histórico nacional e organizações não-governamentais denunciam o processo de descaracterização do acervo da cidade mineira, a primeira do País a receber, há 22 anos, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).O tráfego pesado no centro histórico é um dos principais problemas apontados. Chovia no momento do acidente e, segundo testemunhas, o motorista teria perdido o controle dos freios. Em protesto contra a degradação do patrimônio, moradores deram nesta terça-feira à noite um abraço simbólico na praça Américo Lopes, onde está a igreja.O representante da Unesco no Brasil, o argentino Jorge Werthein, estava na cidade poucas horas antes de o acidente ocorrer. Na última segunda-feira, ele havia alertado para os riscos do intenso tráfego de veículos no centro histórico e informado que uma missão do Centro do Patrimônio Mundial de Paris irá a Ouro Preto no próximo mês para avaliar a conservação do conjunto arquitetônico e urbanístico colonial do município.Caso as recomendações da missão não sejam atendidas no prazo de um ano, a antiga Vila Rica poderá ser incluída na lista dos sítios em perigo. ?A ausência de um plano diretor impede que exista uma regulamentação adequada para o problema do trânsito?, disse nesta quarta-feira Werthein.O plano diretor do município foi aprovado em 1996, mas ainda não foi colocado em prática. A Prefeitura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que contratou uma empresa privada, que está fazendo um estudo sobre a possibilidade de restrição do tráfego na área tombada do município.A administração municipal informou também que pretende trabalhar para a aprovação, na Câmara de Vereadores, de uma lei que proíbe a circulação de veículos pesados que possam causar algum dano ao patrimônio.Até o final da tarde desta quarta-feira, o caminhão permanecia no local do acidente. O diretor da subregional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Benedito Tadeu de Oliveira, disse que sua retirada poderia causar ainda mais danos ao monumento. Ele acredita que o chafariz ainda possa ser recuperado.O Iphan tentará um acordo para que a distribuidora de bebidas se responsabilize pela restauração do monumento. A Prefeitura informou que aguarda os laudos técnicos e que um processo será aberto para apurar as responsabilidades do acidente.

Agencia Estado,

06 de novembro de 2002 | 17h58

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