Caminhões ameaçam parar SP hoje

Contra proibição de circular no centro, promessa é de mais trânsito

Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2008 | 00h00

A partir de hoje, a Prefeitura de São Paulo pretende tirar de circulação 85 mil caminhões do centro expandido da cidade. Mas, se depender dos caminhoneiros, isso não representará menos congestionamentos. Eles ameaçam parar o trânsito ocupando os acostamentos da Marginal do Tietê e fazendo comboios em protesto à restrição de circulação de caminhões que já está valendo. A Prefeitura, por outro lado, promete reforçar a fiscalização.O Sindicato dos Condutores em Transportes Rodoviários de Cargas Próprias de São Paulo promete reunir 200 caminhões às 11 horas para circular lentamente pelas principais vias da cidade. Já a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM) pretende prejudicar o trânsito apenas seguindo as regras. Como não podem parar no acostamento das estradas, por conta da fiscalização da Polícia Rodoviária, os caminhões vão esperar o horário permitido no acostamento das Marginais. "Como são muitos, alguma faixa será ocupada", afirmou o presidente da entidade, José Lopes.Os impactos positivos e negativos da medida podem ser maquiados por um detalhe: hoje começam as férias escolares. "Naturalmente, o trânsito fluirá melhor", disse o consultor em transporte Horácio Figueira. E, para evitar constrangimentos, dessa vez o rodízio não será suspenso. No ano passado, a Prefeitura liberou os veículos da restrição nesta época do ano, mas os congestionamentos recordes fizeram o prefeito Gilberto Kassab (DEM) retomar o rodízio antes do previsto.Os especialistas acreditam que, pelo menos nos primeiros meses, a restrição aos caminhões vai aliviar o trânsito. Mas nem toda a cidade deve sentir os impactos. "Os moradores do Ipiranga vão notar uma melhora maior do que quem vive nos Jardins, por exemplo. Mas toda a cidade vai ganhar", disse o engenheiro e professor da Escola Politécnica da USP Jaime Waisman. Dos cinco especialistas ouvidos pela reportagem, ele foi o único a defender plenamente a medida. Segundo o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, a medida reduzirá de 15% a 17% o congestionamento da capital. Nas contas dos técnicos da secretaria, um caminhão parado ou em movimento ocupa, em média, 50 metros quadrados de área e um veículo urbano de carga (VUC) , 25 metros quadrados. Para mostrar as vantagens da medida, a secretaria compara esses dados com o espaço ocupado por um carro: 15 metros quadrados. E é justamente em torno dessa comparação que está a crítica de alguns especialistas. Tanto para Horácio Figueira quanto para o ex-secretário de Transportes Adriano Branco, a restrição aos caminhões não resolve o problema do trânsito porque vai facilitar ainda mais a vida de quem anda de carro. "Vai sobrar mais espaço. Quem não usava o automóvel, vai usar. Em poucos meses, vai estar tudo na mesma", disse Figueira.FISCALIZAÇÃO REFORÇADACom 500 marronzinhos e um número não informado de policiais militares, a Prefeitura prometeu para hoje uma força-tarefa para garantir o cumprimento da restrição de caminhões na cidade. O perímetro de 100 km2, onde os motoristas de veículos pesados não poderão circular das 5 às 21 horas, foi dividido em 16 células. Nessas áreas, os agentes farão a fiscalização em pontos fixos, rondas e blitze.O motorista de caminhão grande que desrespeitar a medida poderá ser multado a cada duas horas, dentro da área de restrição. Os veículos urbanos de carga (VUCs), entre hoje e novembro, enfrentarão um rodízio de placas pares e ímpares, das 5 às 21 horas.HISTÓRICOPressão: Desde o início de março, quando a capital registrou seis recordes consecutivos de congestionamento em 15 dias, a pressão para a Prefeitura apresentar alternativas ao trânsito aumentou Primeiro pacote: Em 13 de março, a Prefeitura anunciou um pacote de medidas de curto prazo, que incluía a restrição de estacionamento em 17 ruas, a divulgação de 175 rotas alternativas e 19 obras em corredores de ônibus Novos planos: A restrição de caminhões começou a ser estudada paralelamente à possibilidade de ampliar o rodízio de veículos em uma hora pela manhã e uma hora à tarde. Apenas a restrição a caminhões foi levada adiante Definição: Em abril, a Prefeitura anunciou que publicaria três decretos, com as definições sobre os caminhões: um para veículos grandes, outro para VUCs e um terceiro para ampliar o rodízio municipal aos caminhões nas Marginais e na Avenida dos Bandeirantes No papel: No dia 13 de maio, o primeiro decreto estabelecia que caminhões não poderiam circular de segunda a sexta-feira, das 5h às 21h, e aos sábados, das 10h às 16h. Foram definidas cerca de 15 exceções Em detalhes: O segundo decreto definiu as restrições para os Veículos Urbanos de Carga (VUCs). A partir de novembro eles terão a mesma restrição dos caminhões grandes. Mas, até lá, terão de respeitar um rodízio de placas pares e ímpares, das 5h às 21h

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