Camisa vai de chapinha e Mancha canta Ariano Suassuna na avenida

Eufórico, escritor paraibano veio do Recife para ser o destaque do último carro, ?Cavaleiro do Sertão?

O Estadao de S.Paulo

03 de fevereiro de 2008 | 00h00

Teve chapinha no meio do Sambódromo no começo do segundo dia de desfiles do Grupo Especial de São Paulo. Com um bando de ritmistas, passistas e integrantes cabeludos, a Camisa Verde e Branco contou o enredo Da Pré-História ao DNA: a história do cabelo eu vou contar!. A escola nove vezes campeã trouxe Gretchen com um aplique verde de 65 centímetros no cabelo, que passou diante de um salão de cabeleireiro em um carro alegórico.Houve problemas com o carro abre-alas, que precisou ser dividido em duas partes quando os fogos de artifício já anunciavam o começo do desfile. Um dos 15 homens que ajudaram a empurrar o carro - Carlos Aparecido, de 32 anos - teve um ataque epilético. Ele foi levado para o Pronto-Socorro de Santana e passa bem.O desfile da escola com 3 mil componentes distribuídos em 24 alas começou às 22h35. Um bando de cabeludos tomou o Sambódromo, da comissão de frente de brucutus e mulheres das cavernas aos ritmistas de visual black power e às tranças de Rapunzel. Todos tentavam pôr de pé a arquibancada, tarefa difícil diante de um público que aguardava a passagem das escolas mais tradicionais.Mas os problemas da escola, que voltou ao Grupo Especial, não terminaram na concentração. O carro Sítio do Pica-Pau Amarelo e o Castelo Encantado saiu sem o destaque central, o que pode fazer a escola perder pontos. Isso porque o operador de guindaste não conseguiu pôr a estilista Iara Transfaretti, de 40, na torre do castelo. "Me subiram e desceram três vezes no guindaste", disse Iara, que acabou saindo no chão, na ala Rapunzel. Mas o pior ficou por conta da porta-bandeira Cláudia, que perdeu a saia no meio do desfile. Aplaudida pelo público, seguiu com calça legging branca até o fim do desfile de 63 minutos, fechado pelo carro Apliques da Moda, que trouxe os cabeleireiros Celso Kamura e Luciana Alvarez.MANCHALogo depois da Camisa, foi a vez da outra verde-e-branco entrar no Sambódromo: a Mancha Verde homenageou o escritor Ariano Suassuna - que já foi alvo de um enredo do Império Serrano, no Rio. Autor do Auto da Compadecida e de A Pedra do Reino, que viraram minisséries da Globo, Suassuna veio a São Paulo para acompanhar a escola, feliz pela homenagem e porque a letra do samba não esqueceu de citar sua mulher, Zélia. "Estou muito contente e orgulhoso com a homenagem da Mancha. Leram os meus livros: foi um trabalho muito sério", afirmou o escritor.Suassuna se referia às alas da escola, que representavam as obras do escritor, como O Santo e a Porca, enquanto as 80 baianas se vestiam com retalhos simbolizando o Barroco, pouco antes da alegoria do palhaço, de 42 metros. No chão, ela trazia a modelo Viviane Araújo, rainha da bateria da Mancha Verde e um dos destaques da escola. Trazia no pescoço uma coleira com a letra R, de Radamés, nome do atual namorado da moça.Suassuna estava no último carro da escola, chamado Cavaleiro do Sertão, que contava com esculturas de quatro grandes cavalos e lembrava a eleição em 1989 do escritor para a cadeira 32 da Academia Brasileira das Letras. O homenageado estava ao lado de Zélia. A estrela da Mancha Verde chegou em São Paulo apenas na sexta-feira à noite. Ariano Suassuna saiu de Pernambuco e trouxe a família inteira para ser homenageado no Anhembi.O destaque ficou para o show da bateria que, durante todo o desfile, fez três paradinhas e se dividiu ao meio formando um corredor para a madrinha Viviane Araújo desfilar as suas curvas. A última das paradinhas foi na linha da dispersão, segurando a escola para cumprir o desfile nos 65 minutos permitido. À 0h55, entrou na avenida a X-9 Paulistana, com enredo sobre aquecimento global. Na seqüência, viriam a Pérola Negra, Vai-Vai e a Mocidade Alegre, campeã de 2007. O encerramento do desfile seria da Império de Casa Verde.

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