Campanha antecipada leva TSE a multar Lula pela quarta vez

Sucessão. Ministro Henrique Neves acatou parcialmente representação do PSDB referente a evento realizado em abril no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo, onde o presidente teria feito propaganda em favor de Dilma; valor a ser pago é de R$ 10 mil

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) multou ontem, pela quarta vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por promover campanha eleitoral antecipada neste ano. Desta vez, a multa de R$ 10 mil foi aplicada em resposta a evento com sindicalistas em 10 de abril no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo.

A pré-candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, também foi multada em R$ 5 mil, assim como o pré-candidato do partido ao governo paulista, Aloizio Mercadante (R$ 7,5 mil), o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (R$ 7,5 mil), o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (R$ 5 mil), também do PT. Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical, e Antonio Neto, da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, também foram condenados a pagar multas de R$ 7,5mil e R$ 6 mil, respectivamente.

O ministro do TSE Henrique Neves acatou parcialmente representação do PSDB, impetrada no dia 16 de abril, alegando campanha eleitoral fora do prazo em prol de Dilma, durante o Encontro da Defesa do Trabalho Decente - segundo a legislação, só é permitido fazer campanha eleitoral depois das convenções partidárias, em junho.

Neves não aplicou a multa máxima pedida pelo partido (R$ 20 mil) e considerou improcedente acusação de propaganda eleitoral antecipada contra o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a Força Sindical, a CUT, a Central dos Trabalhadores do Brasil, a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil e a Nova Central Sindical dos Trabalhadores.

O advogado do PSDB, Ricardo Penteado, afirmou que estuda recorrer da decisão do tribunal de considerar improcedente a participação dos sindicatos.

Ao comentar a atuação de Lula no evento, o ministro disse: "A intenção de divulgar a candidatura e conclamar a classe trabalhadora para que trabalhasse em prol da campanha da segunda representada é manifesta. O teor propagandístico foi explícito."

A respeito da participação de Dilma, Neves escreveu na decisão: "Pela leitura dos trechos acima transcritos, nota-se que a representada abandonou os temas relativos ao emprego para passar a fazer promoção pessoal, destacando, de forma numerada, as suas características e qualidades, com clara divulgação do que se pode esperar de seu comportamento, inclusive, no curso de campanha eleitoral."

Contraponto. O evento em São Bernardo foi articulado pelo PT como um contraponto ao lançamento da pré-candidatura presidencial do tucano José Serra, que ocorreu no mesmo dia em Brasília. Na semana passada, o TSE já havia multado Dilma e o PT por campanha antecipada no programa do partido na TV veiculado em dezembro - fora a primeira condenação da ministra,multada então em R$ 5 mil. No começo da semana, Lula recebera a terceira condenação por promover em fevereiro campanha eleitoral antecipada em Minas.

Na decisão, Neves destacou a "reincidência" do presidente na infração. "Como presidente da República cabe-lhe - em tempo integral - exercer a chefia do Poder Executivo (...) Além disto, as palavras do representando foram proferidas após o mesmo já ter sido, em situações de gravidade muito menor, apenado duas vezes por este tribunal, o que demonstra a reincidência."

Sobre a fonte de financiamento do encontro, questionada na representação pelo PSDB, o ministro afirmou: "Este tema, contudo, apesar de constar da inicial e de várias defesas, não deve ser profundamente examinado neste momento. Como destacado na inicial, a presente representação diz respeito "apenas à aplicação de multa por propaganda eleitoral antecipada"."

Nos autos, os acusados negaram a campanha antecipada e afirmaram se tratar de uma reunião fechada, garantida pela Constituição. Neves rebateu: "O direito de reunião e a liberdade de expressão devem ser sempre garantidos. Isto, todavia, não lança uma capa de imunidade sobre a reunião realizada ou sobre as palavras nela expressada."

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