Reprodução/Arquivo Pessoal
Reprodução/Arquivo Pessoal

Campanha busca médico na Rússia para brasileiro internado à força

Engenheiro teria sido internado compulsoriamente há dez dias em instituição psiquiátrica russa; amigos e familiares acreditam que profissional de saúde brasileiro pode ajudar no diagnóstico

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2018 | 21h21

Familiares e amigos fazem uma campanha de mobilização para encontrar um médico brasileiro que possa atender o engenheiro cearense Leonardo Pestana, de 27 anos, que teria sido internado compulsoriamente há dez dias em uma instituição psiquiátrica russa. 

Segundo familiares, autoridades locais dizem que o brasileiro apresentou um “comportamento estranho” no Aeroporto de São Petersburgo pouco antes de embarcar e, por isso, foi detido no dia 16 e internado para tratamento. Desde a data, ele só pôde contatar a família em uma ocasião. Hoje, deve voltar a ter contato com a mãe. 

Pelo WhatsApp, cerca de 60 pessoas buscam possíveis médicos. “A mobilização está se espalhando”, afirma o estudante de Administração Marcos César Batista, de 26 anos, um dos coordenadores da campanha #SoltemoLeo. O Ministério das Relações Exteriores disse que o caso está sendo acompanhado. 

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Mobilização. Até o momento, um brasileiro que estuda Medicina na Rússia tem auxiliado as autoridades brasileiras, mas, como não é formado, não pode dar um parecer sobre a saúde de Leonardo. Um diagnóstico preciso sobre a situação do brasileiro ainda não foi divulgado. Como ainda há poucas informações sobre a situação do engenheiro, não há uma definição de como ele poderia voltar ao Brasil. 

Marcos César é amigo de Leonardo há mais de 10 anos, desde que ambos estavam no Ensino Médio. Segundo ele, o brasileiro é muito comunicativo, tanto que costumava chamá-lo de “vereador”. “Ele era superenvolvido em vários grupos.”

Família. Está previsto que nesta quarta-feira, 27, Leonardo possa entrar em contato com a mãe, a funcionária pública Fátima Pestana. Ao Estado, na segunda-feira, ela explicou que o filho a alertou sobre a detenção pelo WhatsApp. "Não tiveram nem a dignidade de informar à família. O meu filho ficou 24 horas lá, sem eu saber notícia dele, tive que acionar a embaixada”, comentou.

Para Fátima, caso Leonardo realmente precise passar por tratamento, esse processo deve ocorrer no Brasil, perto da família.  “Só isto que eu estou pedindo: que as autoridades liberem o meu filho. Ele tem que voltar para casa. Esse é o meu desespero”, disse.

Ainda de acordo com Fátima, Leonardo viajou para a Rússia em abril com o objetivo de fazer um curso de russo e pesquisar sobre a possibilidade de estudar Medicina no país. À família, teria dito que a graduação no leste europeu seria muito mais barata do que em instituições brasileiras. “Era um sonho dele”, conta a mãe.

O rapaz era filho único e havia se formado em 2017 em Engenharia Ambiental e Sanitária pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará. Além disso, teria estudado inglês durante um semestre no Canadá. “Ele nunca deu problema, nunca teve problema por aqui”, diz a mãe.

Até a detenção, Fátima mantinha contato regular com o rapaz, que viajou apenas com o bilhete de ida e havia comprado a passagem de retorno há poucos dias. “A gente estava sempre se falando no WhatsApp. Ele não estava achando legal, não estava bem, dizia que não estava se sentindo à vontade”, lembra a mãe.

Governo brasileiro. Por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores disse que o caso está sendo acompanhado por representantes do governo federal. "O consulado temporário do Brasil em São Petesburgo e a embaixada do Brasil em Moscou acompanham a situação do cidadão brasileiro, mantêm contato com seus familiares e prestam toda assistência consular cabível", escreveu.

"Representante do consulado realizou visita ao nacional brasileiro, auxiliou com serviço de intérprete russo e também no contato com sua família", completa a nota.

 

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