Campanha de Alckmin tenta retomar a ofensiva contra Lula

A campanha do candidato Geraldo Alckmin (PSDB) vai insistir no tema da corrupção no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante os próximos dias e cobrar explicações sobre a tentativa de compra de dossiê contra tucanos que levou à prisão dois petistas e à apreensão de R$ 1,7 milhão há um mês em um hotel em São Paulo, como uma forma de recuperar a ofensiva contra o adversário.Nessa estratégia, o comando da campanha de Alckmin prevê três ações para hoje. Em São Paulo, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), acompanhado de outros parlamentares, irá à Superintendência da Polícia Federal pedir explicações sobre reportagem publicada pela revista "Veja" desta semana segundo a qual estaria em curso uma "operação-abafa" patrocinada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para evitar que o escândalo do dossiê atinja a candidatura Lula.De acordo com a reportagem da "Veja", Freud Godoy, ex-assessor de Lula, e José Carlos Spinoza, amigo de Lula e seu ex-segurança, tiveram um encontro que não seguiu os procedimentos normais adotados pela PF, na sede da polícia em São Paulo, com o ex-policial federal Gedimar Passos, que havia sido preso. O ex-policial, que havia acusado Godoy de envolvimento na compra do dossiê, mudou a versão na semana passada e inocentou o ex-assessor de Lula.Em Brasília, a ofensiva tucana vai em busca de informações sobre a origem do dinheiro apreendido que seria usado na compra do dossiê contra os tucanos. Parlamentares vão-se encontrar com o delegado da PF Luiz Flávio Zampronha, diretor da Divisão de Combate aos Crimes Financeiros. Também em Brasília, os presidentes do PSDB, do PFL, do PPS e do PMDB vão-se reunir para definir ações contra o que consideram uso político da PF."Vamos manter o candidato (Alckmin) na ofensiva", afirmou há pouco à Agência Estado o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que participou ontem à noite de reunião com Alckmin sobre a estratégia de campanha. "Vamos manter na pauta aquilo que é prioridade. A questão ética é essencial para o futuro do País. Qualquer questão programática sem priorizar a ética será em vão, porque não haverá recursos se não diminuir os índices de corrupção do governo", continuou Dias.Na reunião de domingo à noite, da qual também participaram os senadores e coordenadores da campanha tucana Sérgio Guerra (PSDB-PE) e Heráclito Fortes (PFL-PI), além da equipe de marketing de Alckmin, foi feita a avaliação de que a campanha perdeu espaço na mídia para o adversário petista nesse período do segundo turno eleitoral. "Acabamos na defensiva. Com um governo com tantos escândalos, temos de estar na ofensiva", afirmou Dias.O senador considera que o PT dará "um tiro no pé" se explorar a questão do crime organizado em São Paulo como sinalizou ontem o ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro. Para Dias, a responsabilidade pela violência no País é do governo. "Não há da parte do governo federal uma estratégia de combate à violência e de combate ao crime organizado", afirmou o senador paranaense, acusando ainda o governo de omisso na questão da segurança pública.

Agencia Estado,

16 de outubro de 2006 | 12h25

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