Campanha de Azeredo foi beneficiada, diz promotor

A primeira audiência de instrução do processo sobre o chamado mensalão mineiro, suposto esquema de desvio de recursos públicos durante a campanha à reeleição do ex-governador de Minas e atual deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998, foi encerrada na noite de anteontem após oito horas de depoimentos. Para o promotor de Defesa do Patrimônio Público, João Medeiros, as testemunhas arroladas pela acusação reforçaram a tese de que a campanha recebeu recursos desviados de empresas estaduais.

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

De acordo com Medeiros, há no processo "prova cabal de que havia interesse efetivo de realizar o patrocínio, não para a ocorrência do evento e sim para o posterior desvio para a campanha". "Está bem provado, principalmente nas perícias que estão no processo", disse o promotor.

A denúncia, apresentada pelo então procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, e ratificada pelo Ministério Público Estadual, foi recebida em fevereiro do ano passado. O ex-procurador apontou desvio de pelo menos R$ 3,5 milhões dos cofres do Estado para a campanha à reeleição, por meio da "retirada criminosa" de recursos públicos das estatais Companhia de Saneamento (Copasa), Companhia Mineradora (Comig) - atual Codemig - e Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge). Na acusação formal, o Ministério Público Federal afirmou que o "repasse indevido de dinheiro público" ocorreu sob o "manto formal" de patrocínios a eventos esportivos. Os acusados negam qualquer irregularidade.

Cinco réus acompanharam os depoimentos na 9.ª Vara Criminal de Belo Horizonte: o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia; o ex-secretário de Comunicação do governo Azeredo, Eduardo Guedes; o tesoureiro da campanha tucana, Cláudio Mourão; o ex-presidente do Bemge, José Afonso Bicalho, e o ex-diretor da Copasa, Fernando Moreira Soares. O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza foi representado por advogado.

Entre os denunciados, apenas Azeredo responde a ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF). O senador Clésio Andrade (PR-MG), que também era réu na Justiça estadual, teve o processo desmembrado por determinação da juíza titular Neide da Silva Martins, já que assumiu uma cadeira no Senado e passou a contar com foro privilegiado.

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