Campanha de Dilma afaga partido com apoio de aliados nos Estados

O PC do B e o PR deverão apoiar candidatos a governadores do PSB como parte da fatura pela saída de Ciro do páreo

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2010 | 00h00

O comando da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência vai afagar o PSB, incentivando partidos aliados, como o PC do B e o PR, a apoiarem candidatos socialistas a governos estaduais. Depois que for formalizada a retirada do deputado Ciro Gomes (PSB) da disputa ao Palácio do Planalto, os petistas pretendem pagar a fatura na montagem dos palanques regionais.

O acerto, porém, não é tão simples assim. Em primeiro lugar, o governo quer conferir o resultado da reunião de hoje da Executiva Nacional do PSB para saber quais diretórios vão optar pela candidatura de Dilma e quem ficará contra.

Somente depois de feita essa soma é que a conta será quitada. Mas há outros problemas à vista. Em alguns Estados, como São Paulo e Rio Grande do Sul, permitir que aliados façam coligações com o PSB significa retirar o apoio a candidatos petistas, a exemplo de Aloizio Mercadante e Tarso Genro.

"Haraquiri". Nos bastidores do PT, há quem chame a estratégia de "haraquiri", técnica japonesa de suicídio. Não é só: mesmo nos pequenos partidos há resistência a essa tática. "Não dá para nos empurrar assim. Cada um com seus problemas", resumiu um dirigente comunista.

Além das pendências com paulistas e gaúchos, o PSB quer o aval do PT a seus concorrentes no Espírito Santo, Piauí e Amapá. O assunto foi tratado na noite de ontem pela coordenação da campanha de Dilma. Os encontros do grupo com a pré-candidata à Presidência costumam ocorrer às terças-feiras, mas a discussão desta semana foi antecipada justamente por causa da reunião da Executiva do PSB.

A equipe de Dilma continua empenhada em não reagir aos ataques desferidos por Ciro a ela, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PMDB. Mas também não viu com bons olhos a informação de que Ciro é alvo de fogo amigo dentro de seu próprio partido. Nos últimos dias, integrantes do PSB disseram que o deputado deve perder cargos no governo em represália às suas críticas.

"Os cargos não serão usados para barganha eleitoral", afirmou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Articulador político do Planalto, Padilha disse que, mesmo se essa reivindicação tivesse sido apresentada, não iria prosperar. "O presidente Lula já avisou que não quer misturar a composição e a ação do governo com a campanha", emendou o ministro.

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