Campanha de Dilma censura vídeo

Petistas alegam ser 'ofensivo' o desenho animado, que mostra a peregrinação de prefeito com 'pires na mão' por gabinetes de Brasília

Vera Rosa, Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2010 | 00h00

Dilma. Aplaudida 20 vezes durante discurso

 

BRASÍLIA

O comando da campanha de Dilma Rousseff (PT) vetou a exibição de um vídeo que seria mostrado ontem aos prefeitos participantes da XIII Marcha em Defesa dos Municípios, sob a alegação de que era ofensivo. A censura causou polêmica e agitou a sabatina da Confederação Nacional de Municípios (CNM) com os três pré-candidatos à Presidência.

 

 

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Intitulado O calvário dos prefeitos para conseguir recursos - A história do pires na mão, o vídeo era um desenho animado de três minutos. No formato de história em quadrinhos, descrevia a saga de um prefeito percorrendo vários gabinetes, em Brasília, com o objetivo de liberar recursos para sua cidade.

Embora não tenha sido veiculada, a peça foi citada na última pergunta feita aos concorrentes, provocando desconforto na equipe petista. "Cadê o vídeo?", perguntou o pré-candidato do PSDB, José Serra, dirigindo-se ao presidente da CNM, Paulo Ziulkoski. "Foi encaminhado às assessorias dos candidatos", respondeu ele.

Disposto a explorar o veto promovido pela campanha adversária, Serra não se conteve. "Eu tinha curiosidade de ver esse vídeo", insistiu o tucano. "Foi tirado, provavelmente, a pedidos."

Dilma afirmou desconhecer o filme. Questionada se a exibição poderia constrangê-la, reagiu: "Depende do vídeo. Eu não vi."

A petista aproveitou para dar estocadas no governo Fernando Henrique e disse achar "fantástica" a comparação - considerada por ela indevida - entre as formas de tratamento aos prefeitos. "Antes, recebiam prefeitos aqui com cães e cacetetes", provocou. "Não concordo de maneira alguma que a relação que o governo estabeleceu com os prefeitos seja de pires na mão."

Na terça-feira, véspera da sabatina, até o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel - coordenador da campanha de Dilma - entrou na negociação com a CNM. A cúpula do PT avisou que Dilma não compareceria se o vídeo fosse exibido. No filme, o personagem acaba preso por pagar a obra com recursos do Orçamento após uma "jornada cansativa" para liberar verba da emenda produzida por "seu" parlamentar. Encerrada com um letreiro contendo nomes de operações da Polícia Federal, a peça insinua que a burocracia federal leva a práticas ilícitas.

A assessoria de Dilma informou que o vídeo "não era condizente com a realidade" e admitiu ter externado a insatisfação com seu conteúdo. Afirmou, porém, que a decisão de não veiculá-lo partiu da CNM. Segundo Ziulkoski, o PT alegou que a peça seria prejudicial a Dilma por criticar a administração. "Não falamos do governo atual", disse. "É o símbolo de todos os governos."

Diante do impasse na véspera da sabatina, a pré-candidata do PV, Marina Silva, não quis desempatar o jogo e preferiu não se posicionar. "Optamos, então, em não mostrar o vídeo, porque a proposta do movimento era obter consenso", disse Ziulkoski.

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