Campanha de grife italiana irrita governo do Rio

Fotos publicitárias da Relish mostram abuso e agressividade de PMs contra estrangeiras

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

Uma campanha publicitária da Relish - grife de roupas femininas da Itália - revoltou autoridades municipais e estaduais do Rio. Espalhadas por outdoors de Milão, Bolonha e Nápoles, as imagens mostram modelos aparentemente estrangeiras sendo abordadas e revistadas de forma abusiva e agressiva por policiais militares fardados. Em uma das fotos, na Praia de Ipanema, um PM com a farda do 22º Batalhão de Polícia Militar (BPM), do Complexo da Maré (zona norte), coloca a mão por baixo da saia da modelo.O secretário de Turismo e presidente da Riotur, Antonio Pedro Figueira de Mello, repudiou a propaganda e informou que enviará à embaixada italiana pedido de retirada imediata da propaganda das ruas. "Esse tipo de publicidade desrespeita não só a corporação como compromete a imagem do Rio e dos próprios cariocas. Lamentável que fatos desrespeitosos e preconceituosos como esses ainda ocorram", afirmou, em nota. Apesar da semelhança, a PM informou que a farda não é oficial, mas investigará o caso. As fotos também ilustram o site da Relish. Apesar de na vida real o patrulhamento da orla de Ipanema ficar a cargo do 23º BPM do Leblon, na propaganda da loja PMs do 22º BPM abordam e prendem as duas mulheres após o carro em que viajam enguiçar. Em uma das fotos, um PM imobiliza uma mulher no chão enquanto ao fundo outro segura uma pelo pescoço. "A campanha é de mau gosto sob vários aspectos. É machista e reforça a associação perversa entre sexo e violência", afirmou a socióloga da Fundação Getúlio Vargas, Bianca Freire-Medeiros, autora do livro O Rio de Janeiro que Hollywood Inventou. Ela ressalta que a imagem do Rio no mercado turístico global combina elementos sintetizados na propaganda italiana. "Somos um paraíso tropical, mas também somos o lugar do risco e da violência. Gostemos ou não, precisamos admitir nosso quinhão de responsabilidade na produção dessa imagem de um Rio corrupto e violento."

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