Campanha de Lula quer usar PCC e gastos de viagem contra Alckmin

Na reestréia do horário eleitoral gratuito, o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), agradecerá nesta quinta-feira na TV e no rádio os votos recebidos no primeiro turno e usará o tom de quem deseja uma campanha limpa. Mas, longe das câmeras, a equipe do PT afia as garras, na expectativa de um virulento ataque tucano. Amparada pelo slogan "Não troco o certo pelo duvidoso. Quero Lula de novo", a estratégia petista foi confirmada ontem pelo ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, que citou até mesmo as rebeliões do Primeiro Comando da Capital (PCC) como munição contra o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Tarso disse que Alckmin foi "irresponsável" quando era governador de São Paulo (de 2003 até março passado) porque permitiu a formação do PCC. "Como é que um cidadão que governou quase quatro anos e seu partido teve 12 anos (no poder) não sabia da organização criminosa que tomava conta dos presídios em São Paulo e não sabia do preparo de uma insurreição que ceifou milhares de vidas?, perguntou o ministro. "Isso é um sinal de irresponsabilidade pública, que é inadmissível."Cansado de ouvir o adversário acusá-lo de não saber o que se passa à sua volta, Lula orientou o comando de sua campanha a repetir o mesmo mantra em relação a Alckmin. "Nesse segundo turno, vamos discutir ética, programa de governo e comparar as administrações", insistiu Tarso, ao mencionar as "três modulações" da nova propaganda eletrônica. Irônico, o ministro foi além. "Na questão da ética, por exemplo, queremos ir adiante e examinar um assunto fundamental, ainda não debatido, que é o PCC em São Paulo", comentou, puxando o tema do crime organizado.AerolulaPara bater em Alckmin, a campanha petista também insistirá que, quando era governador, o tucano gastou mais em viagens do que o valor do Aerolula, de US$ 56,7 milhões (cerca de R$ 125 milhões). "Alckmin obteve grande confiabilidade quando disse, no debate da TV Bandeirantes, que ia vender o avião da República, porque o grande treinamento que ele e o seu partido fizeram sempre foi vendendo estatais", provocou Tarso. "Afinal, o PSDB vendeu US$ 100 bilhões e a dívida pública triplicou. Mas vamos mostrar que a proposta de Alckmin é de um governo irresponsável e está ancorada num processo de privatização que tanto dano causou ao País."No Palácio do Planalto, o humor da tropa melhorou depois da pesquisa Datafolha, apontando vantagem de 12 pontos de Lula em relação a Alckmin. O levantamento mediu os efeitos do primeiro debate entre os dois candidatos, no domingo. "Não estamos tão apreensivos. Há um novo ânimo na equipe", resumiu um dos auxiliares de Lula. Mas, apesar do ótimo humor, o presidente pediu aos colaboradores que evitem o salto alto do primeiro turno e o clima do "já ganhou".ApoiosLula exibirá no horário eleitoral os inúmeros apoios que tem conquistado nos últimos dias. Na lista está o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, que ontem anunciou sua adesão - mesmo comprando briga com o PPS - e vai cumprir "papel nacional" na campanha, viajando com o presidente para Minas, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás. Maggi fará o debate com empresários do agronegócio, setor no qual Lula enfrenta forte rejeição. Na região Sul, por exemplo, é comum ver o adesivo com a inscrição "Lula, a pior praga da lavoura".

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