Campanha incentiva mulheres a relatar casos de assédio sexual

Ação das redes sociais foi criada após polêmica envolvendo uma participante de 12 anos do MasterChef Júnior

O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2015 | 17h02

Atualizada às 22h30

Uma campanha com relatos de mulheres sobre assédio sofrido na infância ou na adolescência foi lançada nas redes sociais após comentários com teor sexual direcionados a uma participante de 12 anos do MasterChef Júnior, da Band. Na ação, convocada pelo projeto feminista Think Olga, as vítimas compartilham suas experiências usando a hashtag #PrimeiroAssedio. Até esta sexta-feira, 23, 65 mil usuários tinham usado a hashtag no Twitter.

O pedido de relatos foi feito na quarta-feira e rendeu uma série de histórias de mulheres que, ainda na infância, foram abordadas por homens com frases eróticas ou foram apalpadas por agressores. Homens também se manifestaram demonstrando repúdio aos casos revelados.

A manifestação online teve início um dia depois da disseminação de comentários libidinosos voltados para uma cozinheira mirim. A Band se manifestou, por meio de nota, e repudiou os comentários, dizendo que o foco da atração é o “talento das crianças e, nem de longe, há qualquer provocação a esse tipo de estímulo”.

“Muitas violências de gênero são entendidas como algo normal, que faz parte do homem. Quando a gente tem acesso a depoimentos com lugares e idades diferentes, a culpa é do assediador, do criminoso. Essa campanha vem para quebrar o machismo neutralizado e parar de jogar isso debaixo do tapete”, diz Juliana de Faria, de 30 anos, fundadora do Think Olga. O projeto também é o idealizador da campanha Chega de Fiu Fiu, que combate o assédio em locais públicos.

Juliana conta que o primeiro assédio de sua vida foi aos 11 anos. “E não parou de acontecer. Já sofri assédio verbal e físico em ônibus, no metrô, de conhecidos e desconhecidos.”

Críticas. As mensagens comoveram usuários das redes sociais, que demonstraram apoio, mas algumas pessoas, incomodadas com a mobilização, fizeram comentários agressivos. Uma resposta minimizando os casos de assédio foi criada com a hashtag #primeirofora, na qual homens relatam ocasiões em que foram rejeitados – a ação foi alvo de críticas.

Juliana diz que os posicionamentos negativos não abalam a campanha. “O empoderamento feminino não tem volta. É horrível ver os comentários, mas as pessoas estão mudando. São muitas mulheres se fortalecendo e é isso que temos de olhar”, afirma.


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