Campanha petista monta ''conselhão'' para afagar aliados

Formada por presidentes de 6 partidos, a instância poderá debater programa de governo, mas deve ter pouca atribuição prática

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2010 | 00h00

A campanha de Dilma Rousseff à Presidência vai ganhar um conselho político. Formado por presidentes de seis partidos (PT, PMDB, PC do B, PR, PDT e PRB), será instalado na segunda-feira e foi planejado pela cúpula petista para criar um fato político.

Na teoria, a nova instância debaterá propostas para o programa de governo e até mesmo a agenda da candidata, uma isca para agradar aos aliados. Se seguir o modelo verificado nas campanhas do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, porém, o conselho terá poucas atribuições práticas.

Mesmo assim, os governistas prometem montar comitês suprapartidários de apoio a Dilma. A expectativa é que haja uma rede de adesão à petista, organizada por prefeitos a partir de suas cidades.

"Queremos reeditar o movimento da campanha da reeleição do presidente Lula, em 2006, quando houve adesões suprapartidárias", afirmou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. "Não tenho dúvidas de que Dilma receberá apoio até mesmo de prefeitos de partidos da oposição, como o PSDB e o DEM."

Depois da instalação do conselho político, Dilma e líderes de partidos que compõem a base de sustentação do governo seguirão para um jantar na casa do deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE). Disposto a ser candidato ao Senado pelo Ceará, Eunício tem brigado com o PT, que quer indicar para a vaga o ex-ministro da Previdência, José Pimentel.

O governador Cid Gomes, que vai disputar a reeleição, apoia Eunício. Irmão do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) - a um passo de abdicar da candidatura à Presidência por absoluto isolamento -, o governador cearense engrossa o time dos políticos que colecionam problemas de relacionamento com o PT.

Dilma foi a Fortaleza no início da semana e conversou com Cid. Disse que respeitava Ciro e fez elogios ao deputado, ex-ministro da Integração Nacional.

Lula conversou recentemente com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que é presidente do PSB e vai concorrer a um segundo mandato. Tanto o governo como a cúpula do PSB tentam encontrar solução para não melindrar Ciro, considerado um aliado fiel pelo Planalto.

O governo chegou a cogitar a possibilidade de convidar Ciro para integrar a coordenação da campanha de Dilma. O tempo passou e a hipótese morreu. No Planalto, o comentário é que, se Dilma vencer a eleição, Ciro será escalado para ocupar um ministério. À sua escolha.

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