Campanha tucana assumirá tom mais agressivo contra Lula

O PSDB vai partir para o tudo o nada para tentar eleger o tucano Geraldo Alckmin para a Presidência da República, no próximo dia 29 de outubro. Segundo o presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE), o tom de cobrança da campanha tucana contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição, vai subir. Paralelamente ao discurso mais agressivo que será adotado pelos tucanos, Tasso começa hoje uma maratona em busca de apoios partidários para eleger Alckmin. Na próxima terça, Tasso reúne-se com o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), para tentar obter o apoio formal de parte do partido. O PMDB está dividido com uma ala governista aliada à reeleição de Lula. O tucano também espera conquistar o apoio do PDT e os 2,6% de votos válidos do senador Cristovam Buarque (DF), que foi candidato do partido à Presidência da República. Tasso terá encontro com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e também com o do PV, José Luiz de França Penna. O presidente do PSDB avisou que vai conversar ainda com a senadora Heloísa Helena (AL), que foi candidata derrotada do PSol à Presidência da República. "Acho muito difícil o apoio da Heloísa Helena. Ela tem uma posição ideológica muito diferente da nossa. Mas vou conversar e tenho certeza de que ela vai me tratar bem", afirmou.Horas antes de encontrar-se com a cúpula do partido e Alckmin, na noite desta segunda em Brasília, Tasso deixou clara a nova estratégia da campanha eleitoral e partiu para o ataque ao comparar Lula ao ex-presidente e senador eleito por Alagoas Fernando Collor de Mello (PRTB). Empenho de Serra e AécioCollor apóia a reeleição de Lula. "Acho que o Lula está ficando muito parecido com o Collor. Se pegar algumas palavras do Collor e pôr na boca de Lula é igualzinho", disse o presidente do PSDB. "É igual a discurso que se faz quando se é pego com a mão na botija." Tasso contou que já pediu o empenho dos governadores tucanos de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, na eleição de Alckmin. Na avaliação do presidente do PSDB, nem Serra nem Aécio vão fazer "corpo mole" na campanha do presidenciável tucano. "Isso é maledicência para desestimular o povo", argumentou Tasso. Serra e Aécio são candidatos à Presidência da República em 2010 e temem não poder disputar o Palácio do Planalto daqui a quatro anos, caso Alckmin seja eleito. Se vencer, Alckmin poderá ser candidato à reeleição em 2010. Reeleito em primeiro turno, com uma votação consagradora, o mineiro Aécio comprometeu-se a trabalhar para tentar transferir parte de seus votos para o presidenciável tucano. "O Aécio acha que dá para levar o Alckmin a empatar com o Lula em Minas Gerais", disse Tasso, que conversou ontem pelo telefone com Aécio. Campanhas atreladasA nova estratégia prevê ainda que as campanhas estaduais de candidatos tucanos e de aliados também serão atreladas à candidatura Alckmin. "Fizemos isso na disputa pelo governo de Sergipe e lá o Alckmin ficou empatado em votos com o Lula", observou Tasso. "Agora é outra campanha e o desempenho do Alckmin no Nordeste vai melhorar", afirmou. Estratégia para o ataqueA estratégia da campanha presidencial para o segundo turno começou a ser montada nesta segunda e terá como um dos principais enfoques o dossiê que seria comprado por R$ 1,7 milhão contra tucanos "Vamos continuar com o discurso que vínhamos fazendo. É que nem novela. Algumas coisas que são óbvias têm que ser explicadas", disse Tasso. "O presidente Lula não explicou até agora de onde veio o dinheiro para compra do dossiê", completou. Os tucanos também pretendem explorar na campanha as cartilhas que mostravam realizações do governo Lula e foram distribuídas pelo PT. Essas cartilhas teriam sido pagas com dinheiro público, de acordo com auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU). "Isso é mais grave até que o dossiê", disse Tasso.

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