Campanha verde festeja números das últimas pesquisas

A coordenação da campanha da candidata do PV à Presidência, Marina Silva, comemorou os resultados das últimas pesquisas realizadas pelo Ibope e pelo Datafolha. Elas teriam confirmado pesquisas internas que sinalizavam, há quase duas semanas, uma tendência de crescimento das intenções de voto na senadora verde.

Cenário: Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2010 | 00h00

O levantamento do instituto Datafolha mostrou que Marina oscilou de 9% para 11% das intenções de voto entre o fim de agosto e o fim da semana passada. O Ibope também mostrou uma oscilação positiva no plano nacional e avanços significativos em alguns Estados. No Rio houve um crescimento consistente de 10% para 13% na preferência do eleitorado. Em Minas subiu de 7% para 10%. No Amazonas a senadora e o ex-governador José Serra estão tecnicamente empatados. Ele tem 10% e ela, 8%.

A comemoração no quartel verde é compreensível. Desde o início da campanha Marina passou a maior tempo do tempo empacada em torno dos 9% e já se acreditava que dificilmente sairia dali.

Ainda é cedo, porém, para afirmar que a tendência será mantida. Até agora, a senadora não ultrapassou a margem de votos que costuma ser dada aos candidatos que a cada eleição se apresentam como terceira via entre PT e PSDB.

Na corrida presidencial de 2006, a candidata Heloísa Helena, que concorreu pelo PSOL, recorrendo ao discurso anticorrupção e atirando no caso do mensalão, chegou a ter consideráveis 12% nas pesquisas de intenção de voto. Na urna, porém, ficou com 6,8% .

Em 2002, Ciro Gomes, concorrendo pelo PPS, saiu do primeiro turno com 11,9% dos votos. Na mesma eleição, Anthony Garotinho, pelo PSB, teve 15,1%.

Os coordenadores da campanha de Marina acreditam que podem ir além dessas marcas. E sem alterar o discurso usado até agora.

Para eles, ao insistir que o País teve importantes conquistas nos últimos 16 anos, nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula, Marina se distancia da guerra de acusações travada entre os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), à sua frente nas pesquisas, e se firma como terceira via.

O coordenador da campanha, João Paulo Capobianco, dizia ontem que o fato de Marina ter aparecido em pesquisas qualitativas como vencedora do debate realizado pela Rede TV!/Folha seria um indicador dessa percepção do eleitor sobre a terceira via. Outro sinal que considera valioso é o aumento do número de pedidos de material de campanha que chegam ao comitê da senadora.

Ele não disse, mas sabe-se que o cuidado de Marina para não bater pesado nos governos traz dividendo eleitorais por outros motivos. De certa maneira ela não cria antipatias nem rejeição entre os admiradores de Lula, o político campeão de popularidade entre os brasileiros no momento. Nem entre os eleitores simpáticos ao tucano. Acredita-se que parte dos votos que engrossaram o rio de Marina nos últimos dias tenha vindo de reservas do ex-governador paulista.

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