Campinas se prepara para nova onda de dengue

A Vigilância Epidemiológica de Campinas se prepara para enfrentar uma nova epidemia de dengue na cidade, no próximo verão. Segundo a coordenadora da Vigilância, Brigina Kemp, do início deste ano, até hoje, foram registrados em Campinas 438 casos da doença, contraídos no município, os chamados casos autóctones. A coordenadora reconheceu o risco de uma nova epidemia no próximo ano e disse que deverá aumentar o número de casos de dengue hemorrágica, a versão mais agressiva da doença, que pode acometer os que já a contraíram pelo menos uma vez, e mesmo os que nunca foram contaminados. "É preciso que os moradores e os médicos, públicos ou particulares, estejam alertas para os sintomas", pediu. O diagnóstico e o tratamento precoce são fundamentais para a recuperação do paciente com dengue hemorrágica. "Ainda não se pode falar em epidemia dessa versão da doença para o próximo ano, mas todo cuidado é necessário", observou Brigina. Ela lembrou que a Vigilância vem trabalhando intensivamente, há alguns anos, para diminuir a incidência de dengue em Campinas. De acordo com a coordenadora, o coeficiente de incidência em Campinas, este ano, de 45 doentes para cada 100 mil habitantes, é um dos menores entre as cidades do Estado que registraram epidemias. "Em Sumaré, na região, foram 78 casos por 100 mil habitantes e em Barretos, 2.934, registrados até julho", comentou. Brigina explicou que, no ano de 1998, foram registrados cerca de mil casos autóctones em Campinas, o dobro deste ano. Mas, nos dois anos seguintes, ocorreram menos de 100 registros, que não caracterizaram epidemia. "O problema é nacional e não é possível cuidar isoladamente de um município, se toda a região enfrenta a epidemia", explicou, lembrando que a dengue já se tornou endêmica no Estado porque ocorre todo ano, com a chegada das chuvas e do calor. Mesmo assim, a Vigilância está desenvolvendo programas para reduzir o número de doentes na cidade. A diretriz é uma só, eliminar criadouros. Para isso, vem mantendo reuniões periódicas com outros órgãos municipais, como o Departamento de Parques e Jardins, para evitar o acúmulo de água em áreas públicas, além de desenvolver campanhas junto à população e aos profissionais que trabalham com atendimento dos pacientes. Os sintomas da dengue, clássica e hemorrágica, são febre, dor de cabeça, dor no corpo, atrás dos olhos, nas articulações e manchas vermelhas pelo corpo. "Esses sintomas podem aparecer juntos ou isoladamente", avisou a coordenadora. Ela enfatizou a importância de o paciente notificar o médico caso já tenha contraído a doença, e dos profissionais de saúde estarem atentos para os casos reincidentes. "Avaliar bem o caso, investigar e notificar podem salvar vidas", alertou.

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