Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Canadá emite recorde de vistos de residência para brasileiros

Consulado-Geral no Brasil aprovou 2.800 documentos de permanência entre janeiro e agosto deste ano

Ana Paula Niederauer, André Borges, Juliana Diógenes e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2018 | 04h00
Atualizado 22 de outubro de 2018 | 10h58

BRASÍLIA - A terra do futebol exporta cada vez mais gente para a do hóquei. Levantamento feito pelo Estado, com base nos dados do Consulado-Geral do Canadá no Brasil, mostram que nos últimos quatro anos houve um aumento exponencial de vistos de residência permanente concedidos pelo governo canadense a cidadãos brasileiros, chegando a um volume recorde em 2018.

Em 2015, 1.750 brasileiros receberam visto canadense para morar nas províncias do país, uma média que se manteve em 2016, quando 1.730 pessoas trocaram o Brasil pelo Canadá. No ano passado, porém, esse volume chegou a 2.760 vistos liberados, um aumento de 62% sobre o ano anterior. Neste ano, contudo, o volume é recorde: só entre janeiro e agosto, o Consulado do Canadá já aprovou 2.800 vistos de residência permanente para brasileiros. Se for considerada a média, o volume total deverá chegar a 4 mil vistos de residência permanente em 2018.

Para o brasiliense Marcus Fraga, de 34 anos, que partiu para o Canadá em 2015 e hoje estuda e trabalha na Universidade de Montreal, o aumento do interesse em deixar o Brasil se explica não apenas pelos atrativos do exterior, mas pelos problemas históricos brasileiros: crise política e econômica, falta de segurança e corrupção. “Sinceramente, está muito difícil voltar ao Brasil. As notícias que recebemos não ajudam em nada.”

Fraga trilhou um caminho comum para muitos que decidem viver no Canadá. Buscou um curso de pós-graduação, atrelou esses estudos ao trabalho e, a partir daí, decidiu morar no Hemisfério Norte. O número de vistos de estudo liberados a brasileiros pelo governo canadense confirma a trajetória. Em 2015, o país autorizou 5.370 documentos dessa categoria. Em 2016, esse número saltou para 5.962 vistos e, no ano passado, chegou a 6.887.

Questionado, o Setor de Vistos e Imigração do Consulado-Geral do Canadá creditou o interesse a esclarecimentos e facilidade de acesso. “Nos últimos dois anos, a seção de vistos e imigração do Brasil forneceu sessões informativas em várias cidades do País sobre o principal programa de imigração do Canadá, o Express Entry. Como exemplo, teremos duas próximas sessões de informação no Rio na próxima semana”, declarou. O Canadá tem liberado cerca de 280 mil vistos de residência permanente todos os anos, para todas as partes do mundo. Neste ano, sua expectativa é de receber 310 mil imigrantes. “E isso inclui muitos brasileiros”, afirmou o consulado.

Perfil

Há ainda uma mudança de perfil em curso, como relata Ed Santos, sócio-fundador de duas empresas de assessoria para imigrantes e intercambistas brasileiros no Canadá. Segundo ele, hoje a maioria dos clientes que atende é de famílias com filhos menores de 5 anos, enquanto, anos atrás, era de jovens na casa dos 20 anos. “O Canadá é um dos pouquíssimos países desenvolvidos que tem uma política agressiva de imigração.” Ele explica que o processo de seleção considera a idade (o ideal é menor de 29 anos), a formação acadêmica, a experiência profissional, proficiência linguística (inglês e/ou francês) comprovada e se há oferta de emprego. “Muita gente procura já sair com emprego para migrar, mas é difícil.” Santos diz que atende de seis a oito processos de migração de brasileiros por mês, com custo médio de R$ 16,2 mil.

Os casos são como o de Alexandre Furstenberger, de 33 anos, e Vanessa de Araújo, de 38 anos. “É aqui”, pensaram, ao passar férias no Canadá há um ano. O casal de engenheiros já cogitava se mudar para o exterior, mas não tinha certeza do destino. “A gente se apaixonou pelo país, achou o máximo”, diz Furstenberger. Ele e Vanessa vão em definitivo para Toronto nesta quarta-feira, 24, com os gatos Isadora e Oliver e o cão Anakin.  

Já Isis Bussons, de 41 anos, mudou-se há cinco anos e meio de Porto Alegre para o Canadá, primeiramente para Toronto e, depois, para Alma, no interior do Quebec. “Me preparei sozinha, tanto para o teste da imigração quanto para vir para cá. Tem gente que prefere contratar empresas, mas tudo está bem explicado no site do governo do Canadá.”

“Escolhi aqui porque já tinha visitado em 2010 e amei o estilo de vida, a segurança e o respeito ao cidadão. Achei que seria legal ter filhos em uma sociedade voltada para a família", conta ela, que é casada com um canadense e tem uma filho de dois anos.

SP é recordista de pedidos para Portugal

O Consulado-Geral de Portugal em São Paulo foi o que mais recebeu pedidos de nacionalidade portuguesa em toda a rede consular do País em 2017. Foram 12.217 solicitações, quase o triplo do Rio, segundo colocado em número de pedidos.

Nesta quinta, o Consulado-Geral em São Paulo suspendeu novos pedidos de nacionalidade na capital e em Santos até 2 de janeiro. O motivo, segundo o órgão, é a sobrecarga do setor consular com o “número crescente” de pedidos de visto. “Esta decisão insere-se no âmbito da gestão consular e visa a fazer face ao crescente número de pedidos de vistos”, informou. 

Segundo o Consulado-Geral em São Paulo, a medida não será replicada nos demais Consulados de Portugal no País. “A escolha de 2 de janeiro para voltar a aceitar pedidos de nacionalidade naquele consulado relaciona-se com o início do ano civil.”

Até setembro, os pedidos de visto no Consulado-Geral em São Paulo cresceram 34% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram quase 6 mil pedidos - 61% deles de vistos de estudo. Para Miguel Silva, do Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, há relação com o fato de que a nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tenha passado a ser aceita em instituições portuguesas. 

Regras para os pedidos

Visto para turismo

Brasileiros não necessitam de visto para entrar em Portugal por um período de 90 dias nos casos de turismo, negócios, cobertura jornalística e missão cultural. Porém, para entrar no País, é necessária a apresentação de passaporte com validade mínima superior em pelo menos 3 meses à duração da estada prevista, do bilhete de viagem aérea (ida e volta), do comprovante de alojamento, da declaração do vínculo laboral ou atividade profissional no Brasil (documento comprovativo emitido pela entidade patronal, pública ou privada); de comprovativos dos meios financeiros para suportar a estadia, equivalentes a 75€ por entrada em território nacional e 40€ por dia de permanência.

Visto de estudante

Se pretende estudar em Portugal por um período igual ou inferior a um ano, deverá pedir um visto de estada temporária. São isentos de algumas taxas os vistos concedidos para a realização de atividades de investigação para doutorado e pós-doutorado. O tempo de espera é de aproximadamente 40 dias após a entrega da documentação no consulado. A Embaixada de Portugal no Brasil orienta que o brasileiro não deve comprar a passagem sem ter o visto autorizado. Entre os documentos necessários para pedir o visto, estão carta de aceitação de um estabelecimento de ensino em Portugal oficialmente reconhecido e comprovante dos meios de subsistência, como bolsa de estudos ou termo de responsabilidade escrito por um familiar dizendo que se encarregará de todas as despesas do aluno durante a estadia.

Visto de residência

Caso o brasileiro pretenda estudar em Portugal por período superior a um ano, deve fazer o visto de residência para fins de estudos. O tempo de espera é de aproximadamente 40 dias após a entrega da documentação no consulado.  Entre os documentos necessários para pedir o visto, estão carta de aceitação de um estabelecimento de ensino em Portugal oficialmente reconhecido e comprovante dos meios de subsistência, como bolsa de estudos ou termo de responsabilidade escrito por um familiar dizendo que se encarregará de todas as despesas do aluno durante a estadia.

Solicitação de nacionalidade

A nacionalidade portuguesa pode ser solicitada por filhos de mãe portuguesa ou de pai português, nascidos fora de Portugal; nascidos no estrangeiro com pelo menos um ascendente de nacionalidade portuguesa do 2.º grau; nascidos em território português, filhos de estrangeiros se à data do nascimento a mãe ou o pai residia legalmente no país há pelo menos cinco anos; e ainda aqueles nascidos em solo português que provem não possuir nenhuma nacionalidade.

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