Canadenses sobreviventes de naufrágio chegam ao Rio

Navio realizava travessia de Recife para Montevidéu, no Uruguai e estava a cerca de 300 milhas do litoral

20 de fevereiro de 2010 | 12h27

 

O capitão William Curry e 12 passageiros do veleiro Concordia, de bandeira canadense, chegaram ontem por volta das 11 horas à Base Naval do Rio a bordo da fragata Constituição, da Marinha brasileira, que coordenou o resgate de todos os 64 passageiros. O Concordia, um navio-escola, naufragou a 555 km do litoral carioca, na tarde de quarta-feira, por causa do mau tempo.

 

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O veleiro seguia de Recife para Montevidéu. Os outros 51 ocupantes chegariam ao Rio ainda na tarde de ontem, a bordo de dois navios mercantes que os resgataram, um filipino e outro das Ilhas Cayman.

 

Parte do grupo de estudantes estava no veleiro desde setembro. Outro grupo tinha embarcado há duas semanas, no Recife. Ainda muito assustadas, usando bonés da Marinha, algumas meninas relataram momentos de pavor. "Era o meu 15.º dia no mar, foi um choque. Dentro do bote salva-vidas chegamos a beber água da chuva para poupar água potável, porque não tínhamos ideia de quanto tempo íamos ficar no mar", disse Katharine Irwin, de 16 anos.

 

 

Algumas meninas usavam camisetas assinadas por tripulantes do navio filipino que as retirou do mar. Segundo Olivia Aspergood, de 16, elas nunca vão esquecer aquelas pessoas. "Não podemos expressar a gratidão que temos por eles. Nos trataram como realeza. Nos deram comida, roupas limpas e a própria cama deles para dormirmos. Quando lavaram nossa roupa e nos devolveram, pedimos que todos assinassem para que pudéssemos ter uma lembrança dessas pessoas que são tão especiais."

 

 

Os jovens receberam treinamento para saber como se comportar em situações de perigo. "O problema é que existe um ponto em que todo treinamento não é suficiente, e você age no instinto. Eu sabia que deveria colocar a roupa de emergência e entrar no bote salva-vidas", contou Keaton Sarwell, de 17 anos. O momento mais emocionante, contou, foi quando elas precisaram passar do navio mercante filipino para a fragata Constituição. "Nós voamos entre um barco e outro. Foi muito legal", disse, rindo, Olivia, num raro momento descontração.

 

 

Ela chorou quando o capitão Curry relatou o momento do naufrágio. Pouco depois das 14h, quando a maior parte dos jovens assistia a uma aula na parte superior do veleiro, a embarcação começou a virar. "Estávamos preparados para o mau tempo. Recebemos os informes de ventos muito fortes e ondas muito altas. Mas foi tudo muito rápido", disse o capitão.

 

 

 

 

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