Candidata seduz jovens, mas dribla temas tabu

Evangélica fervorosa, Marina delega a aliados a missão de explicar suas posições sobre casamento gay, drogas e aborto

, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

De olho no voto dos jovens, a candidata Marina Silva não quer mais ser tachada de conservadora. Para não perder essa parcela de prováveis eleitores, Marina delegou a seus companheiros de partido a missão de explicar suas posições consideradas retrógradas, por parte de seu próprio eleitorado, quando o assunto é casamento gay, drogas e aborto.

Evangélica fervorosa, Marina fez questão de ela própria deixar clara sua posição em relação à religião. "Uma das maiores bênçãos é sermos um país laico, para que possamos respeitar todos que têm crença e todos aqueles que não têm crença. Essa é de fato uma grande conquista", afirmou ela, no discurso da convenção do PV que formalizou sua candidatura à sucessão presidencial.

No discurso, Marina evitou temas polêmicos. Coube ao vereador e coordenador de sua pré-campanha, Alfredo Sirkis (PV-RJ), sair em seu socorro perante a militância verde para abordar questões sobre aborto, legalização das drogas e casamento gay.

"Zonal sul". Com um discurso ambientalista, Marina tem hoje o voto dos jovens e do eleitor "padrão zona sul carioca", mas acaba afastando o mesmo eleitor quando adota posições tidas como conservadoras. Por isso, Sirkis fez questão de deixar claro que o programa do PV é favorável ao aborto, que, na convenção, ganhou o nome de "interrupção voluntária da gravidez".

"Marina Silva é uma pessoa de fé religiosa. Ela tem a posição de sua igreja. Mas no PV quem quer pode objetar e não acompanhar determinados aspectos de nosso programa", explicou Sirkis. "Entendo que uma pessoa religiosa não queira usar a palavra casamento gay. Mas o importante é que ela é a favor de que as pessoas do mesmo sexo tenham os mesmos direitos e deveres em uma relação matrimonial."

"Não tem nenhuma mulher que seja favorável ao aborto. Somos a favor da descriminalização. O problema é que outros políticos fazem proselitismo com esse tema", observou o ex-deputado Luciano Zica, um dos coordenadores da agenda de Marina.

Os coordenadores da campanha esperam ganhar o voto maciço dos jovens entre 16 e 25 anos. Segundo Sirkis, eles foram essenciais, em 2008, para levar o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) para o segundo turno na eleição municipal do Rio. "Oitenta por cento dos votos do segmento de 16 a 25 anos foram para o Gabeira. Mas esse é um segmento de pavio de lenta combustão, que só se interessa por eleição mais lá na frente", contou o vereador carioca. / E.L. e J.D.

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