Candidato do PCC lutará pelo voto dos presos

Escolhido pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para candidato às próximas eleições da Câmara dos Deputados, o advogado criminalista Anselmo Neves Maia vive seus primeiros dias de glória e notoriedade tentando manter a rotina. Ele continua percorrendo as delegacias para atender clientes presos. "Sou pobre, preciso trabalhar para pagar minhas contas", explica. Radicado na capital há 44 anos, Anselmo Maia é baiano de Brumado, mora na Vila Prudente, zona leste da cidade de São Paulo, é casado e tem dois filhos.Ele conhece bem o sistema carcerário, pois já esteve preso por cinco anos, na Casa de Custódia, em Taubaté, onde foi morto seu amigo, Idimir Carlos Ambrósio, o Sombra. Ele afirma que o processo no qual foi sentenciado não passou de um erro e que já foi anulado. "Fui considerado parte ilegítima e minha sentença foi anulada por despacho de dez desembargadores", alega ele. Anselmo afirma que ainda não decidiu sobre os partidos com os quais fará contato e que não tem muita experiência em política, mas acredita que não terá dificuldades porque sua bandeira será legítima: a aprovação de um projeto garantido o direito de voto aos presos. "Já fizemos as contas e temos a certeza de que vamos conseguir de 400 a 500 mil votos de familiares dos 150 mil presos de São Paulo e isso é suficiente para eleger não só um deputado federal, mas deputados estaduais e dar muita força a qualquer legenda que nos abrigar."Partido da Comunidade CarceráriaPara ele, a criação de um partido - o PCC (Partido da Comunidade Carcerária) - fica para mais tarde, quando existirem condições ideais para uma mobilização nos nove Estados exigidos por lei eleitoral. Mas Anselmo não tem dúvida sobre a sua eleição a deputado. "Não tenho medo de cara feia e já enfrentei muitos juízes e delegados e não é agora, por causa de um Afanásio Jazadji que vou amarelar?, afirma ele, que tomou conhecimento das críticas do deputado do PFL ligado à área de segurança publica. "Esse senhor perdeu uma grande chance de ficar calado" comentou, argumentando que "o problema do Sr. Afanásio, todo mundo sabe, é psicossomático".Segundo Anselmo, sua campanha para deputado federal terá apenas uma bandeira. "Vou lutar pelos direitos dos presos, porque quero acabar com essa vergonha nacional que são as condições subumanas das cadeias públicas brasileiras", afirma. Para ele, a corrupção, as mazelas e os problemas só vão acabar quando os presos puderem votar e ter sua voz na Câmara dos Deputados e voltar assim a ser cidadãos".

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