Epitacio Pessoa/AE
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Candidato ligado ao PCC é preso em Taboão

Claudinei Alves dos Santos, que disputa uma vaga de deputado federal, é investigado por suposto envolvimento com o tráfico de drogas

Josmar Jozino, Luiz Guilherme Gerbelli / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

Adulteração de combustível, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Essas são as acusações feitas pela Polícia Civil contra o candidato do PSC a deputado federal Claudinei Alves dos Santos, o Ney Santos.

Aos 29 anos, ele também é investigado por suposto envolvimento com o tráfico de drogas e com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Preso sob a acusação de roubo em 2003, saiu da prisão em 2006 e acumulou patrimônio de R$ 50 milhões no últimos quatro anos, segundo a polícia.

O candidato passou a ser investigado há 90 dias justamente por causa do rápido enriquecimento. Nesta semana, a Justiça bloqueou os bens, mas negou o pedido de prisão temporária, formalizado pela Delegacia Seccional de Taboão da Serra.

Na lista de bens bloqueados estão uma Ferrari avaliada em R$ 1,4 milhão, duas casas em Alphaville, cada uma no valor de R$ 2 milhões, 15 postos de combustíveis, escritórios, apartamentos, casas e outros carros de luxo. Ontem, a Polícia Civil cumpriu 13 mandados de busca nos imóveis e empresas do candidato e apreendeu veículos, computadores e documentos contábeis.

Acompanhado de advogado, Ney Santos compareceu ontem de manhã à delegacia. Até as 20h, porém, ele não tinha sido ouvido pelo delegado Raul Godoy Neto, do Setor de Investigações Gerais.

A Polícia Civil também pediu a prisão temporária de cinco dias de Michele de Sousa Lima, 28 anos, prima de Ney Santos, e do frentista Ricardo Luciano Andrade dos Santos, 24 anos. Ambos são apontados como "laranjas" do candidato. Ela foi ouvida ontem e afirmou que o primo construiu seu patrimônio com a venda de combustíveis adulterados e sonegação de impostos. Disse não saber se ele tem ligação com o crime organizado.

Michele contou ainda que Ney Santos a colocou como sócia em dois postos de combustíveis, em São Bernardo do Campo e em Diadema, porque ele precisava de alguém com o nome limpo.

No TRE, Ney Santos declarou ser empresário e ter um patrimônio no valor de R$ 1.279.286,85. De acordo com a Receita Federal, sua movimentação financeira é incompatível com os rendimentos declarados e patrimônio formado.

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