Candidatos ampliam promessas no social

Após disputar paternidade do Bolsa-Família, Serra e Dilma preparam metas ambiciosas

Julia Duailibi e Adriana Carranca, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2010 | 00h00

Com a consolidação da questão social como o tema deste início de campanha, os candidatos à Presidência da República José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) vão turbinar as suas iniciativas na área, aumentando ainda mais a temperatura do debate.

Nas diretrizes do programa de governo do tucano, que devem ser divulgadas na próxima semana, o PSDB pretende dizer que vai aumentar os gastos com o Bolsa-Família: passando de 0,4% do PIB para 1,5%. No front petista, haverá o anúncio de uma espécie de segunda fase do programa, com um foco maior nas condicionalidades, como ampliar acesso a educação e saúde.

Os dois principais candidatos à Presidência aproveitaram a primeira semana para tentar colar suas impressões digitais na discussão. Serra afirmou que, se eleito, vai duplicar o número de famílias beneficiadas com o Bolsa-Família. Dilma aproveitou para rebater: "Com que autoridade alguém que acabou de deixar o governo diz que vai dobrar o Bolsa-Família, sendo que não deu o Bolsa-Família no Estado?" A petista também fala em ampliação.

Em 2002, a campanha de Serra usou o lema "Nada contra a estabilidade, tudo contra a desigualdade". O então adversário Luiz Inácio Lula da Silva adotou o jargão "Fome Zero". "Esses temas depois submergiram. Não era a preocupação da opinião pública. Agora é o oposto", afirmou o economista Marcelo Néri, um dos maiores estudiosos em pobreza e desigualdade do País.

Para o economista, a agenda social deveria focar agora na qualidade do programa, mais que no tamanho. A proposta de Serra de dobrar o Bolsa-Família o levaria a mais 12 milhões de famílias. "Atingiria mais que o número de miseráveis no País", disse Néri.

Dilma não cita números. "Quem tem o social como núcleo do programa de governo não precisa ficar fazendo promessas em números. O programa central da Dilma é erradicar a pobreza", disse o deputado Rui Falcão, que participa da elaboração do plano petista. "Serra promete, mas em São Paulo há 100 mil famílias fora do programa."

O foco do Bolsa-Família são famílias com renda per capita de até R$ 140 - 12,9 milhões de famílias nas contas do governo. O programa atende 12,3 milhões e tem como meta até o fim do ano atender a outras 600 mil. Ou seja, se considerar o mesmo critério de pobreza usado pelo próprio Ministério do Desenvolvimento Social, não há sentido os candidatos falarem em ampliação do programa.

O texto provisório do plano de governo petista fala em "aperfeiçoar" o programa e na "consolidação ampla da rede de proteção". Isso significa articular sistemas de atendimento das pastas da Educação e Saúde ao Bolsa-Família e dar prioridade de atendimento aos beneficiados.

Para o vereador tucano Floriano Pesaro, que atua no programa de governo do PSDB na área, o partido priorizará o "atendimento integral das famílias, levando em consideração o Índice de Desenvolvimento Humano dos municípios em que se encontram as famílias cadastradas".

Paternidade. Os tucanos tentam chamar para si a paternidade do Bolsa-Família dizendo que ele se originou no Bolsa-Alimentação, iniciativa de Serra quando era ministro da Saúde. A ideia é dizer que o projeto compunha as ações sociais da era FHC, que culminaram no Bolsa-Família.

"Nos chamam para esse embate como se fosse ruim para nós", afirmou o coordenador do programa de governo de Serra, Xico Graziano, citando o número de 6 milhões de famílias incluídas na rede de proteção social de FHC em dois anos. "Hoje são mais de 12 milhões de famílias. Portanto, eles não fizeram em oito anos mais do que a gente fez em dois."

Um dos textos sociais em discussão entre os tucanos diz que "incentivos devem ser introduzidos no Bolsa-Família para aumentar a quantidade e o aprendizado do aluno". Estuda-se a criação de mecanismos de concessão de crédito para as famílias cadastradas no programa.

Já no documento recente enviado ao TSE, o PT afirmou: "Esses resultados (do Bolsa-Família) precisam ser mantidos a médio e longo prazo". O texto não menciona números.

AGENDA DE HOJE

Dilma Rousseff (PT)

A candidata petista vai ao Rio, onde participa de almoço com Lilly Marinho, viúva de Roberto Marinho. Pela manhã, Dilma dará entrevista à Rádio Tupi.

José Serra (PSDB)

O candidato tucano viaja para o Espírito Santo. Entre as 14 e 19 horas, Serra terá compromissos em Vila Velha, Vitória e Município da Serra - mas o roteiro não foi confirmado.

Marina Silva (PV)

A candidata do PV cumpre agenda no Rio de Janeiro, onde às 10 horas visita a casa de Flávio Minervino, no Morro dos Prazeres, para inauguração de mais um comitê domiciliar de apoio à sua candidatura. Às 11h30, Marina fará uma caminhada no Largo da Carioca.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.