Candidatos aproveitam ausência e escolhem Lula como alvo

Nos segundo e terceiros blocos, candidato perguntou a candidato, também por sorteio. Alckmin escolheu Heloísa Helena para perguntar, criticou Lula sobre a atuação na Saúde e indagou sobre a proposta do PSOL para o setor. A candidata insistiu que é preciso reduzir juros para viabilizar investimentos na área.E disse que os números do orçamento são manipulados para garantir o atendimento ao interesse dos banqueiros. Na réplica, Alckmin fez explanação sobre distribuição de remédios e leitos hospitalares. Heloísa Helena na tréplica falou do atropelamento de seu filho, da falta de medicamentos no hospital da rede pública que o atendeu com traumatismo craniano, mantendo a linha de críticas a Lula.O segundo candidato a perguntar foi Eymael, que questionou Alckmin. "Durante o governo de seu partido nasceu e se desenvolveu o PCC. O que o senhor não fez para que isso acontecesse?". Alckmin votou a falar da prisão de 90 mil apenados em seu governo, da redução do número de homicídios e latrocínios no Estado, na criação do Regime Disciplinar Diferenciado. Voltou a falar em terrorismo político-eleitoral - do crime para a política. Mas não respondeu a pergunta.Eymael emendou a réplica para dizer que as propostas da Democracia Cristão são a criação do Ministério da Segurança Pública, a implantação de um Plano Nacional de Segurança pública e uma reforma imediata do regime prisional, para que as cadeias não sejam apenas "depósitos de preso". Alckmin, de novo, na tréplica, criticou a ausência de Lula e a omissão do governo federal no combate ao tráfico de drogas e de armas pelas fronteiras do Pais.A terceira a fazer perguntas foi Heloísa Helena, que perguntou a Cristovam sobre Educação, depois de trocar elogios com ele, que reconheceu a luta da senadora no setor. Deu a ele a oportunidade de falar sobre a proposta da federalização da Educação, comparando a uniformidade do trabalho dos funcionários e agências do Banco do Brasil em todo o País, com a necessidade de um sistema semelhante para a Educação."O governo tem a obrigação de dar um padrão mínimo, e manter os prefeitos no gerenciamento desse sistema", disse Cristovam. A senadora compartilhou da opinião e se colocou como uma "apaixonada" pela área. Na tréplica, Cristovam manteve a "rasgação de sedas".Bivar perguntou a Cristovam, mas foi interditado pelo mediador. Redirecionou a pergunta a Eymael, indagando o que pretenderia em relação à proposta de privatização dos presídios. "O que o País realmente precisa hoje é de um presidente de verdade, que chame para si as responsabilidades. Que diga aos brasileiros - ´agora é comigo´". Bivar na tréplica insistiu na tese de seu partido, de privatização das cadeias aos moldes do sistema penitenciário francês.Para encerrar, Cristovam perguntou a Bivar - seu amigo de infância com quem jogava bola - se a decepção do povo foi maior com a seleção brasileira de futebol na Alemanha ou com o governo Lula. Bivar falou de seu trabalho no Congresso, concordou que a decepção com o governo Lula é maior e falou da necessidade da reforma eleitoral e do fim do aliciamento eleitoral. Cristovam comparou a ausência de Lula aos jogadores que não voltaram ao País. "O povo tem o direito de saber o que o candidato tem a dizer..."Mais perguntasO terceiro bloco do debate entre os presidenciáveis, da "Rede Bandeirantes de Televisão" foi também de pergunta de candidato a candidato, por sorteio. Eymael perguntou a Cristovam qual a proposta para o setor de Turismo - depois de brincar com a ausência de Lula. "Nós não devemos criticar o presidente, afinal é muito provável que ele não saiba, também, que havia o debate aqui". O candidato do PDT levou a questão para a área do conhecimento e tornou a falar sobre a área de Educação. "Por ela, a Educação, passa o desenvolvimento também do Turismo".Alckmin perguntou a Bivar sobre o desenvolvimento agrícola. "O governo federal está numa linha inversa", disse Bivar citando o escritor Alvin Toffler. "Nosso governo só fala em recordes e pensa em levar o homem urbano para o campo. É preciso investir mais em portos, rodovias, ferrovias, em tecnologia..."Na tréplica, Alckmin dirigiu-se diretamente aos espectadores, ressaltando a questão da agricultura familiar, prometendo apoio como o "seguro de safra", competitividade maior e outros detalhes técnicos. Bivar disse que a divisão de assistência em um ministério técnico e um político, é problemática. "O governo faz uma política eleitoreira para o setor," afirmou.Heloísa Helena devolveu a gentileza do bloco anterior e questionou Alckmin. Perguntou se ele faria a revisão sobre isenção tributária ao capital estrangeiro. Alckmin dirigiu-se, de novo, aos telespectadores - "ao senhor e à senhora" - falando da necessidade de transferir recursos que tem altos custos fiscais para investimentos em educação e saúde, com uma reforma política e uma reforma tributária, para reduzir imposto "especialmente para quem precisa mais". "Precisamos privilegiar sempre o setor produtivo!", ressalvou.Heloísa Helena criticou os governos FHC e Lula por não terem feito a reforma tributária e por "saquearem" recursos do orçamento para fazer o "jogo sórdido dos banqueiros". Alckmin, na tréplica, disse que a reforma tributária pretendida por ele visa aumentar a capacidade de investimentos do governo. "Vou cortar gastos e desperdícios, eliminar a corrupção e cortar, assim, os juros", garantiu o tucano.Cristovam, na seqüência, dirigiu-se a Eymael. "Qual é sua política para a Amazônia?" O democrata-cristão falou de sua proposta de "um só Brasil para todos os brasileiros". "Quando se fala no resgate da Amazônia, tem que se falar em crescimento e reforma tributária", insistiu Eymael, numa linha de "defesa do contribuinte e resgate da região amazônica". Na réplica, Cristovam trouxe ao debate a necessidade de ordenamento territorial da Amazônia. Na tréplica, Eymael voltou a falar na sua obsessão pelo crescimento.A Bivar restou perguntar a Heloísa Helena. Ele falou sobre enxugar a máquina perdulária do governo. "Que propostas a senhora tem para isso?" Heloísa Helena voltou a falar da política de juro e do arrocho aos pobres. "O problema não é o tamanho do Estado. É que ele joga metade da riqueza produzida para atender os interesses dos banqueiros". Para ela, é preciso reduzir o tamanho do dinheiro do Estado "jogado na corrupção e na especulação". Bivar se manteve na mesma linha, falando da superposição de ministérios, cabides de emprego, e do desperdício de recursos do Estado "perdulário".

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